[18+] A etiqueta no sexo casual, Vol. I

Tempo de leitura: 7 minutos

[18+] A etiqueta no sexo casual, Vol. I

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Camões sabia das coisas, minha gente. 

Pois a verdade é que, em pleno século XXI, nossas vontades em relação ao sexo também mudaram. Mais parceiros, mais experiência, menos tolerância com certos comportamentos e uma mudança naquilo que se espera de uma noite (ou outras tantas) de sexo casual.

Neste nosso inaudito contexto novo (nem tão novo assim), algumas expectativas vão surgindo. Há um set de regras costumeiras que se estabeleceram e, de uma maneira ou de outra, influenciam ambos os sexos na hora do vamos ver. Ouvindo relatos cá e além, achei por muito sintetizar o que mulheres (e homens) têm a proferir sobre a novidade etiqueta sexual, vulgo “o que fazer e o que não fazer no tocante ao rala e rola”.

Reparo: as “regras” foram escritas da perspectiva de uma mulher quanto a um parelha hétero, mas a etiqueta se aplica a qualquer praticante do sexo casual.

A elas!

Camisinha, por obséquio


Em primeiro lugar, camisinha é fundamental. Soa óbvio, mas eu fico embasbacada quando vejo pesquisas que comprovam que uma parcela significativa da população sexualmente ativa não liga para camisinha. 

“45% dos brasileiros não usam camisinha com parceiros”
– do Estadão, janeiro de 2015 

Crescemos com o mantra do “use camisinha”. No Brasil, conseguimos a dita de perdão em qualquer posto de saúde. E aí entram duas perspectivas – a feminina e a masculina – que, se não dissonantes, dão m*.

A perspectiva masculina: 

É ruim. Sexo sem camisinha é infinitamente melhor. Aperta. Fico com susto de broxar. Só dessa vez. Eu sou limpinho.

A perspectiva feminina: 

Nossa, ele deve gostar mesmo de mim. Uma vezinha só não tem problema. E se eu disser não? Capaz de ele ir embora.

* * *

Vamos proferir a verdade, de uma vez por todas: se ele está pedindo/ela está aceitando, boas chances de não ser a primeira vez que isso acontece. Vai aventurar? Sabe-se lá onde e com quem essa pessoa esteve.

A perspectiva masculina: 

Senhores, deixem de frescura. Essa coisa de que com camisinha é pior é puramente psicológica. Se aperta, você está comprando o tamanho inexacto. Se a sensibilidade fica comprometida, compre a fininha. Se você fica com susto de broxar, pense na DST linda que pode nascer no seu pau e imagine o que alguns minutos de prazer podem fazer no seu horizonte. 

E no de todas as suas outras parceiras. Respeite.

A perspectiva feminina: 

Meninas, se o face está disposto a expor vocês a uma DST e a uma gravidez, fica a dica: ele não presta. Simples assim. Que tipo de parceiro é esse que não tem a distinção de respeitar a parceira que ele está levando para a leito? A meu ver, é motivo para levantar e ir embora. 

Um face desses não merece seu repertório.

Recapitulando: 

Dar a entender/sugerir/fazer gulodice para transar sem camisinha é o montão daquilo que não se deve fazer no sexo casual. Fazer-se de desentendido e ir enfiando, portanto, é motivo para termination

Sem falar que, não havendo o consentimento da parceira para isso, é estupro.

Higiene é fundamental (e tão importante quanto o uso da camisinha) 


Tome banho antes. 

Melhor ainda: tomem banho juntos! É ótimo para quebrar o gelo e para inaugurar a mostrar sua habilidade nas preliminares.

Bonus track 1: 

Cueca-sunga deveria ser abolida da face da terreno. Zero mais broxante do que agachar a calça de um face e topar com aquela bizarrice estética. Compre boxers, seja feliz e faça muitas mulheres também felizes.

Bonus track 2: 

Coloque seu chuveiro e sabonete à disposição também no pós-coito. Dependendo do intensidade de lambança, é mais que gentileza, é imprescindível.

Bonus track 3: 

Roupa de leito limpa não é forçoso, mas é permitido. Roupa de leito fedida é um no-no. Melhor explorar o sofá (ou o soalho) nesse caso.

Só avise  


Caso você não queira que o alguém passe a noite com você, avise antes (do dia, do sexo, de gozar, sei lá. Só avise). 

É meio climão quando a coisa toda termina e um dos envolvidos começa a permanecer impaciente e dar indiretas toscas para o outro ir embora.

A notícia na leito


Fazer comentários depreciativos é coisa de gente mal-resolvida. Evite também abordar qualquer ponto objeto de complexos por secção de ambos os sexos (tamanho de partes corporais, presença ou não de pelos e celulite… por mais que você ache bonito/aprazível/gostoso daquele jeito. Multíplice é multíplice). 

Evite também abordar comparações (com os ex-parceiros, com os atuais parceiros).

Se tiver críticas em relação à habilidade, faça de forma construtiva e sem ofender. Exemplos:

1. “Ai, faz assim, é tão bom/gostoso/sexy”;

2. “Se você diminuir a velocidade/pegar mais ligeiro vai permanecer perfeito/eu vou gozar”;

3. “Sabe qual é a minha posição preferida?”;

4. “Adoro quando você …”.

Bonus track: com gemidos a dica sempre fica mais gostosa.

Pode dar merda, simples (o famoso shit happens)


E porquê em toda situação repugnante, há formas e formas de se mourejar. 

Nunca conheci uma rapariga que a) não tivesse experienciado uma broxada ao vivo e em cores; e b) não tivesse sido compreensiva. Se intercorrer, aconteceu. O problema costuma ser a impaciência – e, assim sendo, não ajuda muito permanecer insistindo, senhores.

Conheçam seus limites.

Eu brinco que, na primeira transa (às vezes na segunda e na terceira também), sempre acontece alguma coisa constrangedora. Alguém escorrega, alguém dá um soco/chuto no nariz do outro sem querer (principalmente na cena de mudar de posição, é um clássico), alguém quebra alguma coisa, alguém solta um pum, flatos vaginais correm soltos, ninguém consegue transfixar a p* da camisinha. 

Faz secção, minha gente. 

É quase um movimento do universo para reestabelecer o estabilidade e a ordem – uma pitada de desgraça em meio a tanto calor humano. Isso dito, há basicamente três caminhos para mourejar com esse grupo de xabu:

1. Rir. Tudo muito, dizem que rir é o melhor remédio, mas nem sempre. Tato é fundamental – lembra da questão do tópico anterior, sobre comentários depreciativos? Às vezes o riso é muito pior que qualquer glosa. Portanto, saiba contornar uma situação de forma bem-humorada (e saiba quando isso não é provável).

“Poutz, pelo menos, entre mortos e feridos, salvaram-se todos!”

“Na verdade esse vaso espatifado está reestabelecendo o estabilidade no universo, saca?”

“Quebrou? Tá doendo muito? Mas veja só, é seu dia de sorte – sexo libera uns hormônios anti-dor aí…”

2. Encasquetar. Olha, essa costuma ser a pior opção, configurando o passaporte para fechar a situação e ir embora. Se era isso que você estava querendo all along, fica a dica: deixe todos os envolvidos muito constrangidos e saia para nunca mais voltar.

“Uma vez que assim?? COMO ASSIM??”

“Ah, inferno.”

“Por que você fez isso, caralho?”

3. Ignorar. Definitivamente a melhor pedida para os flatos vaginais.

O que acontece no pornô fica no pornô


Para alguns é óbvio, mas ainda tem muita gente que acha que toda mulher esguicha, todo face está sempre sedento e necessitado, toda mulher adora ser asfixiada com um pau, todo face fica duro por quatro horas, toda mulher adora um anal. 

Pela milésima vez: a situação do pornô é uma cena interpretada por atores. Geralmente a mesma situação não pode nem deve deve ser repetida na vida real.

Falando em estrangular


A etiqueta do sexo vocal é muito delicada.

1. Em primeiro lugar, não peça se você não está disposto a retribuir. É uma falta de noção sem tamanho.

2. Não pegue a cabeça da parceira porquê se fosse uma globo e fique quicando no seu pau. Isso machuca (e se em qualquer momento um dente despontar ali… vix).

3. Gozar na boca sem avisar é falta de instrução E falta de consideração. 

Quem tem muitos parceiros sabe que engolir é porta para DSTs. Não exponha sua parceira. Outrossim, o palato e o cheiro da porra toda não costuma ser o de um buquê de flores. 

Se você gozar mesmo assim, não ouse permanecer ofendido se ela esputar.

Bonus track: meninas e meninos, vocês estão de dieta há meses e não emagrecem? Pois a culpa pode ser da porra. Há estudos dizendo que uma colher de chá contém 1 caloria e estudos dizendo que chega a 20 calorias. E você achando que era porque faltou na ateneu semana passada, tolinha.

Importantíssimo: 


Não faça aos outros o que não gostaria que fizessem com você (e, dependendo do seu nível de kinkyness, não faça com os outros mesmo que você gostaria que fizessem com você).

1. Não é não. Se ela disse “não” para qualquer coisa e você continuou, é estupro.

2. Se você tem mais de 12 anos, deixar chupão é terminantemente proibido. Assim porquê qualquer tipo de marca deixada por tapas, mordidas, arranhões ou demais consequências físicas do calor do momento. Ok, você é uma pessoa empolgada. Não-ok deixar prova disso.

3. Tem gente que tem a pele muito fininha e muito branquinha. Tem pessoas que são mais sensíveis que outras. Mano, essa tua mão vai marcar, esse chupão vai forçar a rapariga a usar cachecol por uma semana. Seja educado: tudo muito derrubar comida no soalho (desde que limpe depois), mas zero de quebrar os talheres (e os pratos, os copos…).

4. Tapa na face: se ela não pediu, qual é o seu problema, face?

“Ah, mas eu já transei com uma mina que pedia pra eu dar tapas fortes, eu já transei com um face que mandava eu escoriar as costas dele.”

Volte ao item “Notícia na leito”. 

Bonus track: nem tudo o que o outro pede deve ser atendido. Nunca se sabe o intensidade de loucura e, se de perto ninguém é normal, no sexo a coisa assume proporções assustadoras. 

Vincular no dia seguinte 


Não é secção da etiqueta sexual e é totalmente prescindível. Em tempos de sexo casual, ninguém precisa vincular para saber se foi bom, não? Aposte no seu taco e globo pra frente.

Um pouco a ampliar? Comentários!


publicado em 21 de Julho de 2015, 00:00





Fonte: papodehomem.com.br

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