[18+] Bom Dia, Carol Guimarães

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[18+] Bom Dia, Carol Guimarães

E em mais um momento de queda da minha autoestima, saíram essas fotos. Lindo o resultado né? Nem pareço ter baixa autoestima… Creio que vocês pensem isso. Nem parece que eu gaguejei quando pedi para o porteiro avisar que eu havia chegado. Olhando assim, quem diz que minhas pernas travaram quando fui entrar no elevador, e, muito menos, que pensei em desistir até o último minuto. Estava toda travada ao andejar até o apartamento, engolindo essa crise a sedento gasganete inferior.

“Ora Carol, se você não estava se sentindo muito, por que foi?”. Por coragem, puramente coragem.

Pois muito, não é fácil, é uma serra russa, e às vezes você fica se odiando por dias, meses…

Meses sem conseguir se olhar no espelho. É o pior sentimento que eu posso ter por mim mesma: ódio e desprezo. É difícil me olhar e não me reconhecer, me olhar e odiar o que vejo, ou pior: nem me olhar mais. Tentei diversas “fórmulas” pra me livrar deste monstro que me assola, mas foi somente quando eu tive a coragem de olhar para mim, olhar para a minha história, e mais do que olhar, enxergar o meu eu, que consegui principiar a aprender a me concordar. A maneira que eu consegui me enxergar foi com a retrato, que veio pra mim uma vez que uma salvação, um novo ângulo de mim, me ver de fora do corpo, ser vista pelos olhos dos outros e principiar a ter mais carinho e saudação comigo mesma.

Comecei portanto despretensiosamente a fazer autorretratos. Esse trabalho cresceu, ganhou nome, página, e acredite ou não admiradores (eu não acredito até hoje). Alucinart é o nome deste que acredito ser um alter ego.
Neste trabalho as fotos ilustram os meus desejos e sentimentos. O “eu” de dentro explode e toma forma, pode ser visto e sentido. Estas fotos não são somente o corpo despido de roupas, mas a minha origem.

O mais puro eu.

Percebi com o tempo o quanto a exposição do meu corpo, das minhas angústias, das minhas marcas, tinha ajudado outras pessoas, outras meninas, outras mulheres a se aceitarem uma vez que são. Me conectei com essas pessoas, conheci suas histórias, entendi os seus sentimentos, e hoje, consigo olhar-me com carinho. Consigo concordar que faz segmento de mim ser uma vez que sou, e que qualquer vocábulo pejorativa, não passará de uma vocábulo.

Entre mim e os julgamentos, há um bueiro, e quando falam e olham, cai tudo neste buraco. Mas sabe, às vezes respinga em minha pele, e às vezes quase que sem querer eu abro a tampa deste bueiro, e é quando tudo o que conquistei se desmorona. Mas daí eu me lembro de tudo isso que escrevi, vivi e senti, e pouco a pouco vou me reerguendo novamente.

As fotos são do Ricardo Coji.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


publicado em 21 de Janeiro de 2019, 00:00





Fonte: papodehomem.com.br

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