[+18] Bom dia, Eduardo Baltazar

Tempo de leitura: 4 minutos

[+18] Bom dia, Eduardo Baltazar

Foram palavras numa língua estrangeira que não caem suavemente aos ouvidos de início, que me acordaram para tomar os primeiros passos em me sentir confortável na minha própria pele.

Esse mantra hoje (não tantas vezes quanto antes) ainda me relembra que não importa uma vez que você é, quem você é, ou de quem você gosta, se concordar e dançar consigo mesmo vem antes da aprovação de qualquer um.

Amadurecer e evoluir, mesmo que inerente à natureza humana, não é uma tarefa fácil, por muitas vezes é difícil e complicado (para mim isso se aplica a todos sem exceção). Nesse processo todos têm as suas dores, no meu caso a roboração dos outros foi a maior delas.

Por isso vivi num ritmo que não era o meu para ser aceito (não que hoje ainda não saia do compasso), para ter as coisas mais fáceis, e não encontrar solavancos no caminho, a idealização em technicolor de uma vida “ideal” e “feliz”.

Emular o comportamento, as respostas certas e até o linguajar do envolvente era trabalhoso, mas eu o fazia… Másculo? Só reprimir a feminilidade. Intelectual? Traga a sua melhor pose e referências cinematográficas! Política? Se resuma ao adjetivo “complicado”.

Porquê resultado de me moldar e reprimir me perdi de mim, não soube mais separar o verdadeiro eu, aquele com anseios, vontades e sonhos próprios, do eu que cumpre as expectativas, se cala e sorri nos momentos que quer gritar.

Por que me sujeitei a isso? Nem eu sei nomear todos os motivos… mas meu corpo foi um dos protagonistas, sempre magro demais, feminino demais, estranho demais para o palato universal.

Essa roboração do “eu ideal” tinha um palato cinza na boca.

Fácil de seguir e que me sufocou… quando precisei fugir, ser eu, mesmo que por algumas horas não conseguia, o limite entre o real e o ensaiado era turvo, quase não tinha evidência.

Não foi fácil.

Me encontrei, fui eu “EU” uma vez que não havia sido em anos, para portanto… o baque… você não é suficiente, você não é interessante, você não se encaixa mais na caixa que o “nós” criou para você.

Sabia o porquê cheguei àquele ponto em primeiro lugar, e uma vez fora dele não queria voltar… não podia… seria injusto demais comigo mesmo.

Tomou tempo, uma força que não sabia que tinha, espeque e horas de conversa (você é suficiente para alguém no termo das contas, qualidades e defeitos inclusos).

A oportunidade que tive de participar do experiência fotográfico do The Lonely Project foi um dos passos mais importantes no meu processo (ainda não finalizado) de roboração. O Rico (fotógrafo do projeto) me permitiu olhar para mim mesmo, me despir de mim, e fazer um reboot de anseios e desejos.

Fiz as pazes com um pedaço de mim, um pedaço importante.

Encontrar esse caminho foi necessário. Admitir-se uma vez que você é, com suas falhas, seus traumas e cicatrizes depois de entorpecido por tanto tempo é um choque, mas por experiência, desviar das suas dores e decepções não vai te deixar sentir o palato do mundo.

Mesmo que desconfortável, seja sempre grato por sentir um pouco.

Hoje eu sou suficiente para mim, aprendi a dançar comigo mesmo.

A urgência de validação e aprovação alheia ainda está cá, mas ela não me controla mais.

 


publicado em 15 de Outubro de 2018, 12:28





Fonte: papodehomem.com.br

Quando a gente quer, mas não consegue terminar

E os namoradinho, Vó?