[+18] Bom dia, Jessica Targa

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[+18] Bom dia, Jessica Targa

Nota editorial: acreditamos que nudez, sensualidade, libido e inconstância são discussões essenciais de nosso tempo. E que há espaço para tratar disso sem objetificar e ofender, mas sim valorizando toda a riqueza do masculino e do feminino. Para entender porque publicamos ensaios de homens e mulheres e saber mais sobre o que aspiramos para a série “Bom dia”, leia o que escrevemos cá. E se tem um tentativa que deseja publicar, fale conosco pelo contato@prazeresocultos.com.br .

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Só o veste de posar nua já era, para mim, uma experiência com uma intrigante mistura de um ligeiro carinho no próprio ego e uma timidez paralisante. A teoria surgia na minha cabeça porquê os “dates” que eu nunca consegui executar, por simples susto do primórdio. A incerteza do que seremos quando não soubermos o que fazer é sempre agoniante.

Naquele dia o meu repto maior era conseguir me entregar totalmente para aqueles dois – fotógrafo e câmera – de um jeito sem devolutiva. Um repto meu comigo mesma, quase ou totalmente, submetendo-me a uma vistoria do meu paixão próprio. Aqueles dois, juntos, me observando, tirando ângulos meus que eu nunca talvez vi e registrando-os para sempre num efêmero eterno.

Apesar de todos os medos, eu me considerava pronta pra isso. Para deixarmos as coisas mais íntimas pra mim, decidimos fazer o tentativa na antiga lar que cresci. Uma lar que eu não voltava a seis anos e que, desde portanto, foi completamente abandonada. Antes de entrar na lar, eu não teria imaginado porquê seria aquele momento. A primeira imagem ainda se confunde em um odor intragável de sujeira de gato com muita poeira, estilhaços e cor de marrom. Fui entrando em todos os cômodos extasiada com aquele momento tão pleno de lembranças minhas que mais pareciam de outra vida. Passei pelo macróbio closet de minha mãe e me lembrei vagamente, mas com muita intensidade, porquê minha mãe se incomodava quando eu passava só de calcinha do banheiro no final do galeria, ao lado do quarto dela até o meu quarto.

Não consegui me lembrar de uma só vez que eu pude passear sem roupa livremente entre aquelas paredes.

A estranha e maravilhosa sensação de rebeldia preencheu todo meu corpo. Quando cheguei no término do galeria, de frente à porta do banheiro e ao lado da porta do quarto dos meus pais, olhei o largo espelho lateral e vi meu revérbero confundido com antigas lembranças e percebi ali que, não era só a lar que estava completamente modificada. Eu também estava. Portanto ficamos ali, por longos minutos breves, se encarando, eu e a lar. Nos medimos. Nos reconhecemos. O tempo tinha mudado tudo em nós. Nossa estrutura. Nossa rostro. Nossas marcas. Nossa rotina. Nossa representação. Aquilo era maravilhoso.

Começamos as fotos ali mesmo, no quarto da minha mãe, em cima da leito de alvenaria que eu vi meu pai fazer com as próprias mãos. Não existia mais susto. Não existia mais vergonha. Não existia mais espaço pra isso. A manhã inteira de fotos foi pra mim não só a libertação da minha própria teoria do meu próprio corpo. Não foi só um grande estágio de entrega a um retrato e do estágio ao contato com a lente da câmera. Não foi só a asserção da minha já certeza de liberdade da minha própria sensualidade. Foi também uma libertação de todas as dúvidas que eu tinha sobre o caminho que eu escolhi. Foi principalmente a libertação divina de todas as coisas que eu nunca fui, de todas as coisas que eu nunca quis ser.

Receber as fotos dias depois e ver o resultado foi porquê receber a relação do dia seguinte. Um carinho inesperado. As fotos traziam toda essa sensação de volta pra mim. Uma vez que se a câmera e o fotógrafo tivessem realmente conseguido participar de mim mesma naquela manhã memorável. E até os defeitos que eu sempre reclamo em mim já não eram mais importantes. As fotos eram um retrato de coisas muito mais intensas do que isso. A devolutiva que eu não saberia que teria. A reciprocidade no paixão.

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publicado em 28 de Maio de 2018, 00:05





Fonte: papodehomem.com.br

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