as prisões masculinas

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as prisões masculinas

Nota do editor: oriente item é segmento da visão que nos motivou a produzir o nosso principal evento do ano, o Homens Possíveis. Um evento inteiro devotado a palestras, vivências, integração e rodas de papo sobre as maiores questões da masculinidade atual. Vai ser 09/12, sábado, em São Paulo. A edição passada foi incrível e esta está ainda melhor, garanta o seu ingresso. Esperamos vocês lá!

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Grande segmento dos pedidos de ajuda que chegam até a pilastra ID retratam homens que estão confessadamente desgastados, cansados de sustentar posições de força e sem liberdade perante impulsos mais emotivos e sua fragilidade. Na própria relação com amigos, homens se sentem desumanizados nessa procura incessante pela vitória, mesmo quando gostariam de simplesmente relaxar.

Nunca nos perguntamos sobre as angústias de alguém que se fantasia de vencedor e depois não consegue se desgarrar dessa ilusão. Porquê você se sentiria em viver sem a liberdade de perder, perverter, repousar e errar?

Os homens nem sabem o quanto se torturam por realimentar uma cultura preconceituosa, prejudicial não só às mulheres (vítimas reais). Mesmo tirando vantagens financeiras (homens ainda ganham mais que mulheres), sociais (privilégios e acordos favoritistas), físicas (carência de sensação de prenúncio numa rua solitária) e outras tantas, existe ainda um responsabilidade que perturba os homens.

Pode parecer um luxo de classe privilegiada falar do sofrimento em estar no topo. Porém, quero deixar simples um ponto. O varão que tem a pretensão de sempre  ser o Alpha está num processo tristonho de prenúncio frente às condições de falência ao longo da existência.

Exatamente por tentar projetar para si e os outros uma força e capacidade imbatíveis, o varão fica exposto a múltiplas sobrecargas pessoais.

1. Sexualidade limitada

“Homens vendem a teoria de uma hipersexualidade viril.”

A sexualidade masculina é bastante falocêntrica e isso cria uma restrição pouco detectada. De modo universal, os homens foram enclausurados por si mesmos em desejos muito limitados.

Em tempos nos quais a liberdade sexual tem sido cada vez mais preconizada (e até superestimada), nos vemos presos a um pretérito ideológico asfixiante, machista e alienante. O olhar coletivo está condicionado a associar nudez com libido sexual, sexo com penetração e prazer com finalização orgástica.

Até o libido pelas mulheres é essencialmente visual e afobado. Essa escravidão do olhar binário do varão que categoriza as coisas num lugar ou outro é predatória para ele mesmo, que se vê impelido a fundamentar sua virilidade.

Para reger todas essas contradições, o varão precisaria de certa maturidade emocional de quem sabe mourejar com seus desejos sem que sejam uma ordem, de quem pode respeitar a nudez sem que ela seja sexual ou mourejar com o sexo sem que se obrigue a permanecer ereto.

2. Dívidas

“Homens vendem a teoria de sucesso e provedor”

O que faz um varão se endividar não é lucrar pouco, mas ver os pedidos e desejos dos que o cercam serem barrados por sua “incapacidade” de prover. Para não deixar que os seus colegas arranquem em disparada com os carros de ponta na viagem para o point turístico enquanto ele naufraga nos centavos, prefere comprar a morada e o carruagem, mesmo sem reais condições.

Os bancos já perceberam isso e criaram toda a forma facilitada de crédito a juros altíssimos para que os homens vaidosos nadem nos mares do consumismo em procura de status.

O tropeço inevitável que se segue aos empréstimos e hipotecas é resultado dessa febre que não permite que o varão unicamente diga não aos seus impulsos e às pessoas que estima aprazer com bens materiais.

Nome sujo, para um varão, é porquê se tivessem arrancado sua perna e, mesmo assim, ele está sempre fazendo piquenique na extremo do abisso.

3. Suicídio

“Homens vendem a teoria de resistência ilimitada”

Para quem só tem opção vencer ou ser derrotado é tudo ou zero, sem chances de nequice.

Os métodos usados para suicídio se distinguem entre os gêneros. Homens costumam ser mais efetivos.

Até para tirar a própria vida, não pode possuir nequice. Tiro, forca e queda do elevado são os métodos favoritos para o tipo de pessoa que não pode ser associada com fraqueza, nem na hora de tirar a própria vida.

Meu bisavô materno se matou, segundo uma mito familiar, por ter contraído sífilis. Diante da possibilidade de se ver incapaz numa leito ou de ser desvelo pela minha bisavó, preferiu estourar os tímpanos.

Infelizmente, a termo opróbrio nunca pode ser associada a um varão num mundo escravizado pelo machismo.

4. Doença, vetustez e morte

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“Homens vendem a teoria de saúde e força inabalável.”

Com exceção do Professor Xavier (que não existe, vale lembrar), quando vemos um varão sentado numa cadeira de rodas, estranhamente tiramos a teoria de potência dele. A pergunta secreta, cabal e recheada de vergonha de si mesmo é: “Será que o pinto dele sobe?”

Entre médicos e enfermeiras, é siso generalidade atestar que os pacientes mais difíceis são do sexo masculino. A teoria de fazer um vistoria de rotina ou procurar um médico não passa na cabeça de muitos caras, que só vão se consultar com um médico em última hipótese, quase mortos.

Aliás, os homens morrem mais cedo do que as mulheres porque em média se cuidam menos e são menos atentos aos sinais corporais de disfunção. Prova disso é o trabalho realizado por proctologistas para convencer os quarentões a fazer o vistoria de próstata, que além de questionar sua força física ainda os expõe em sua vaidade de viril.

O ponto é que a vetustez chega para todos e a quantidade de homens que entram num amargura pós-aposentadoria é muito subida, já que associaram força unicamente com códigos sociais juvenis.

Homens não se aceitam morrer ou passar uma vida em vão, talvez por isso, muitos queiram se imortalizar numa árvore, num livro e num fruto.

5. Solidão e intervalo afetiva

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“Homens vendem a teoria de autossuficiência”

Pedir ajuda, só em sigilo. Expressar suas necessidades, nem sob tortura. É mal opera a cabeça usual de quem foi ensinado a segurar o pranto e mostrar os dentes para ser respeitado.

Enjaulado porquê uma fera, o varão não costuma recorrer à sua rede de base para trespassar de uma tempo difícil. Ele vai se blindando ao longo dos anos e endurecendo em convicções intelectuais que explicam qualquer fenômeno humano com meia dúzia de teses racionais. O sumo de ajuda que consegue obter é uma rodada de bebida com os amigos.

6. Bloqueio emocional

“Homens vendem a teoria de que a vida prática e exterior é o que importa.”

Zero mais aterrorizante do que o pesadelo de se ver pelado diante do recinto do escola, não é? Essa visão de extrema vulnerabilidade e passividade está no inconsciente mais primitivo de um varão.

Da mesma forma falar de paixão, compromisso, temor e falência geraria indiferente na espinha do varão mais poderoso do mundo. Isso o colocaria numa posição de disponibilidade radical, completamente sem armas para mourejar com os outros.

Essa impossibilidade de mourejar com a fraqueza cria uma reação contrafóbica de ter que se armar até os dentes. Porquê? Conquistando territórios, criando muralhas e se armando para tutelar seu espaço.

Homens matam e morrem pelo simples temor de encarar seu semelhante com a mesma honra e falência que ele tem. Diante de sua incapacidade psicológica de mourejar com centenas de variações emocionais, o varão deixa evadir unicamente raiva para manifestar tudo aquilo que sente.

7. Facciosismo social

“Homens vendem a teoria de que são inquestionáveis”

Estar sempre com a razão é motivo de vaidade para muitos homens, seja em diálogos pessoais ou comentários em site. A visão oposicionista – eu e o outro, concordo e discordo, vencedor e perdedor – turvam qualquer propósito mais profundo na vida e impede que os homens sigam transcendendo a premência de vitória.

Uma vida com significado é mais trabalhosa, mas é uma dedicação recompensada com clarão nos olhos, conversas enriquecedoras e falas com conexão emocional.

A preocupação por vencer na esgrima intelectual cria um tipo de glória solitária, já que as pessoas ao nosso volta se cansam, afastam e desistem de produzir qualquer sentimento realmente significativo.

8. Tensão metódico

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“Homens são ativos”

Porquê sempre assumimos a imponência e ação produtiva porquê resultado do esforço de viril, também nos trancafiamos num pragmatismo cego.

Qualquer dilema ou queixa que chegar até um ouvido masculino parece produzir o responsabilidade de ser consertado ou solucionado.

Esse estado de mente sempre alerta do caçador pode parecer superficialmente uma vantagem nos negócios ou na vida social. Mas será que poderíamos obter qualquer tipo de aproveitamento em poder relaxar, contemplar, ou concordar certas dissonâncias cognitivas sem transmutar tudo em tarefa?

9. Prisão amorosa

“Homens devem ser assim”

Quando leio um pedido de “volta Dr. Love”, ouço menos por quem pede e mais o que pedem.

Eles pedem uma maneira mais simples, prática e objetiva de prometer resultados diante de impasses da vida amorosa.

Essa aparente sabedoria “máscula” revela uma limitação que nos impomos, a de ter que saber porquê agir diante de uma mulher. É porquê se houvesse um pedido de “não me faça pensar, me diga porquê ser” que é próprio de quem tem temor de suas próprias escolhas e seus fracassos.

Sem alguém para expressar o que temos que fazer, enfrentamos a exigência moral de desvendar por experiência própria o que funciona de combinação com nosso temperamento, tipo físico, perceptibilidade, traços de personalidade e visão de mundo.

Queria ouvir de vocês, reconhecem em suas vida algumas dessas prisões emocionais? Porquê lidam com elas?

Quer se aprofundar na visão presente neste item?

Nascente item é segmento da visão que nos motivou a produzir o nosso principal evento do ano, o Homens Possíveis. 

Teremos a presença de homens com grandes trajetórias compartilhando suas visões sobre masculinidade e porquê podemos nos aprimorar em nossas jornadas.

O Homens Possíveis é um evento inteiro devotado a palestras, vivências, integração e rodas de papo sobre as maiores questões da masculinidade atual. Vai ser 09/12, sábado, em São Paulo. A edição passada foi incrível e esta está ainda melhor, garanta o seu ingresso. Esperamos vocês lá!


publicado em 29 de Outubro de 2013, 22:06





Fonte: papodehomem.com.br

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