Uma vez que gerar um grupo de homens, um guia fundamental

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Uma vez que gerar um grupo de homens, um guia fundamental

“Esse encontro não é exclusivamente dois dias de teorias, dados de pesquisa, práticas emocionais, reflexão e roda de conversa, isso cá é um chamado para vocês plantarem uma semente e levar adiante o movimento de transformação dos homens.

E logo, uma vez que vão fazer isso intercorrer?”

Com essas palavras abri e encerrei o curso de estabilidade emocional para homens em BH, minha terreno natal, final de semana pretérito. Batemos essa foto ao final, havia por lá pessoas de 20 a 71 anos:

Tenho oferecido essa semente por onde passo. Nas dezenas de empresas nas quais conduzi palestras e workshops nos últimos dois anos, nas escolas, ONGs, casas e instituições por onde passei. 

Assim uma vez que nas entrevistas e conversas das quais tenho participado, vide o podcast sobre masculinidades e sentimentos do Mamilos, que teve (está tendo ainda) uma repercussão absurda.

O chamado parece estar surtindo efeito. É tempo de nutrir o masculino com referenciais saudáveis.

Recebemos incontáveis mensagens, emails, DMs e cartas (cartas não, pataratice) nos perguntando:

“Quero gerar um grupo de homens. Quero conduzir um trabalho de lhaneza e transformação do masculino. Uma vez que faço?”

Por pura e simples incapacidade de priorizar isso, até hoje não havia escrito um cláusula decente respondendo a essa pergunta. A espera acabou. Minha intenção é rabiscar o que tem funcionado nos trabalhos que conduzo e o que observei rodando o Brasil.

Esse não é o guia definitivo sobre uma vez que gerar grupos de homens.

É exclusivamente um pontapé, um recorte fundamentado em nossos 11 anos de vida, que talvez te ajude a estrear um trabalho em sua cidade.

Esse texto é bastante longo e cada um dos links leva a materiais que são ouro. Use uma vez que material de consulta, não se preocupe em lamber tudo de um só vez. Pode ocasionar indigestão.

Nossa maior aspiração é que esse breve desmanual coloque ainda mais lenha no movimento de transformação dos homens. 

Peraí. Existem vários grupos de homens pelo Brasil?

Sim, grupos uma vez que Guerreiros do Coração e o Clã Lobos do Tapado existem há mais de 20 anos.

Inclusive esses e outros, uma vez que o Diamante Bruto, a Vivenda dos Homens, o Masculinities e o Círculo do Queima Sagrado Masculino se encontraram no evento “Homens em Conexão”, em Brasília, no dia oito de abril.

Estive presente e devo a vocês um relato completo cá no PdH sobre uma vez que foi essa maravilhosa experiência.

O movimento é real. Exclusivamente não está sendo descrito na mídia, ainda. E sua fala ainda é difusa, fragmentada em grupos de whatsapp e facebook, com atividades dispersas pelo país.

Infelizmente, hoje vivemos uma tremenda escassez de espaços, recursos e pessoas qualificadas para trabalhar com os homens. Essa verdade é prejudicial para nós e para as mulheres, isso precisa mudar.

Homens possíveis 2017, nosso tradicional evento de fechamento do ano | Foto: @ismaeldosanjos

Naturalmente, uma vez que em qualquer movimento, há diversas abordagens e visões sobre o que seriam transformações possíveis e desejáveis para o masculino.

A nossa visão está descrita em detalhes cá.

Não cabe a mim ou ao PdH assumir um lugar de fala uma vez que porta voz de tudo isso. Podemos, entretanto, ser transparentes e oferecer aquilo no qual confiamos, narrar do que vimos.

É esse o espaço que ocupamos. Somos mais um projeto em meio a tantos e tantas outras que buscam erigir relações mais amorosas, construtivas e saudáveis, entre os próprios homens e com as mulheres. Independente das orientações sexuais, cores de pele e religiões dos participantes.

Introduções feitas, vamos adiante.

Uma vez que gerar e sustentar um grupo de homens:

0. Qual sua real motivação?

Iniciar um grupo para ter as mesmas conversas e interações de sempre não é o que estamos discutindo cá.

Você deseja estrear um grupo para si, para ter o ego inflado, propagar crenças raivosas, aprender uma vez que seduzir e objetificar mulheres, reclamar do mundo?

Ou está realmente disposto a cultivar um espaço de escuta, oferecimento e aprendizagem, que o desloque para fora de sua zona de conforto, que seja sustentável e ajude os participantes a florescer e nutrir melhores relações em todos os sentidos?

Homens Possíveis 2016, reflexão com todos os presentes | Foto: Luiz Simonetti

Nossa sugestão é que seja um grupo de homens interessados em refletir, coletivamente, sobre uma vez que se relacionam consigo mesmos, com as pessoas à sua volta e com o mundo. Que seja um espaço de reflexão, florescimento humano, guarida e parceria.

E que isso tudo possa intercorrer por meio de práticas diversas — diálogos, meditações, danças, caminhadas e esportes na natureza, fogueiras, dentre tantas outras possibilidades.

Não importa se vocês são de direita, esquerda, meio, pretos, brancos, amarelos, ateus, católicos, muçulmanos, heteros, gays, bi. A aspiração vale pra todos.

Acreditamos em grupos de homens inclusivos, não em grupos de homens hetero que se fecham para todo o resto — a sexualidade masculina ainda é uma caixa-preta, não tenha dúvidas de que você tem amigos ou conhecidos com vivências que eles evitam te narrar, por temor de julgamento.

Somos contra grupos que defendam superioridade dos homens ou que propaguem visões preconceituosas à saudação de mulheres, pessoas gays, trans ou quaisquer outros segmentos sociais.

1. O primeiro encontro, o anfitrião e o granjeiro

Não se preocupe em fazer o encontro perfeito, isso não vai intercorrer. O principal é tirar a teoria do papel. Só não pense que isso significa desleixo. 

Homens Possíveis 2017 | Foto: @ismaeldosanjos

Anfitrião é a pessoa que abre a moradia ou oferece um espaço para o encontro intercorrer. Também pode ser a pessoa responsável pela meio específica

Rendeiro é o articulador do grupo. É quem puxa, convida e acende essa labareda. É mais trabalho do que parece ser granjeiro. Exige logística, paciência, sensibilidade, tolerância a frustrações e bastante disposição. A recompensa é pavimentar um trajectória de prolongamento bonito e vasqueiro, para si e para outros. 

É geral que anfitrião e granjeiro sejam a mesma pessoa no primórdio.

Com o passar do tempo, é saudável que haja vários caseiros (ou que todos assumam essa postura) e que a posição de anfitrião de cada encontro possa ser revezada, para que todos possam ter a experiência de planejar e conduzir uma atividade. Ensinar e oferecer é uma prática poderosa.

O granjeiro vai cuidar dos seguintes pontos:

  • qual o propósito do encontro e do grupo? Consegue recitar isso com transparência para si mesmo e para outros? Esse texto pode ajudar.
  • uma vez que invitar os participantes? Convites simples, diretos, muito humorados e de coração descerrado funcionam muito.
  • checar quem realmente vem, para prometer presença. Não checar exclusivamente um dia antes, em uma mensagem fria e distante. Manter a força do invitação e do encontro vivas nos dias anteriores ao encontro.
  • o lugar escolhido permite ao grupo sentar em roda, é hospitaleiro, tem a estrutura necessária (cabos, tomadas, iluminação…)?
  • o lugar é atingível, fácil de chegar?
  • o que as pessoas vão consumir? Sugiro evitar álcool e industrializados, se verosímil. Optar por sustento ligeiro, saborosa, formosa e proveniente. Se não tiver verba ou não souber uma vez que providenciar, peça ajuda. Pode se surpreender com o quão fácil ela vem. Também vale pedir pra que cada um traga um pouco.
  • as pessoas vão passar insensível ou calor? Anteveja isso.
  • qual a proposta, a atividade meão a ser realizada? Um encontro sem eixo pode ser frustrante para todos, assim uma vez que um encontro engessado e rígido, também. Minha sugestão é que se pense em uma atividade meão e haja espaço flexibilidade para improvisos e conversas, também.
  • quanto tempo estima resistir o encontro ou cada uma de suas etapas? Quem vai conduzir cada segmento?
  • o anfitrião está cônscio do que vai intercorrer? Ele(a) apoia a teoria do encontro? Possui restrições, ressalvas, sugestões? Escute atentamente à pessoa anfitriã e agradeça por sua imensa munificência.
  • se não houver verba para remunerar o anfitrião por penetrar o espaço, quem vai permanecer responsável por ser o primeiro a chegar? Quem será o último a transpor e trancar tudo? Quem vai limpar e organizar, para que o espaço seja entregue uma vez que foi recebido?
  • ao final do encontro, recitar as ações necessárias que o(s) próximo(s) aconteça(m). Mesmo lugar ou não? Qual a atividade seguinte, quem conduz? Quando e que horas? Teremos um calendário de atividades para os próximos meses?
  • recitar qual peridiocidade de encontros manter, com aval do grupo. Sugiro semanal, no supremo quinzenal. Mensal costuma esfriar.
  • uma vez que tornar tudo isso um pouco prazeroso, com calor humano, prazenteiro? Se a coisa for sempre pesada, séria e profunda demais, as pessoas cansam. Bom-humor e leveza são essenciais pra sustentabilidade do grupo.

Um espaço hospitaleiro costuma ser grande, muito iluminado, com janelas e vegetais, uma mesa de lanches leves e naturais, com sucos e chás também naturais. Se houver um jardim ou natureza perto, melhor ainda.

Encorajo sempre sentar em roda, pois o círculo é poderoso, comunica um siso de lhaneza e ombro a ombro imediatos. Se verosímil, sentar no solo é melhor ainda, em almofadas e colchonetes — tendo cadeiras disponíveis para pessoas com questões físicas.

 

Você pode comprar colchonetes por vinte reais cá. Outra ótima escolha é comprar pedaços de EVA e usar uma vez que colchonete, dá pra descobrir fácil em grandes papelarias e armazéns. Sai muito mais barato. Se o solo não for insensível, talvez nem precise disso também.

Você pode comprar almofadas nos seguintes locais — já separei sugestões boas de sentar e meditar, pois reflexão é uma supimpa prática regular a ser adotada nos encontros.

Zafus:

Almofada meia lua:

Cadeiras (super confortáveis pra encontros longos) e banquinhos de reflexão:

Círculo esperando estrear um dos encontros que conduzi, em BH

* * *

Se você for estilo Rodrigo Hilbert, pode fazer sua própria almofada, com esse passo-a-passo.

Lembrando que tudo isso são sugestões, pessoal. Não um manual de conduta do tropa. E que, uma vez que dizem os engenheiros, o ótimo é inimigo do bom.

1.2 Construindo um convenção de convívio

Sugiro que seja estabelecido um convenção de convívio no primórdio dos encontros.

Idealmente, um bom convenção é co-criado por todo o grupo, com facilitação do granjeiro. Cá um cláusula com sugestão de uma vez que fazer isso no contexto escolar, que pode facilmente ser ajustado.

É importante contemplar quais serão os valores do grupo e deliberar sobre questões práticas uma vez que:

  • sigilo das informações — crédito é base
  • relação com atrasos, ausências. O grupo preza por pontualidade ou tem mais flexibilidade? Ausências devem ser avisadas com um mínimo de antecedência ou vale proferir isso poucas horas antes do encontro?
  • dinâmica de fala. Basta interromper alguém para pedir a fala? Levantar o dedo? Quando um fala, todos escutam? Pode parecer truão, mas são questões importantes. Temas sensíveis ou polêmicos podem se transformar em brigas se isso não for desempenado. Participantes mais tímidos podem ser engolidos pelos mais dominantes.

Quais serão os valores adotados pelo grupo? Guarida, empatia, condolência, lhaneza, não-violência, flexibilidade, altruísmo, saudação…?

Cabe aos participantes sentenciar.

Pensando em grupos com intenção de encontros a longo prazo, recomendo erigir isso em conjunto. Resista à tentação de chegar com um pouco pré-escrito, pedindo exclusivamente a validação dos demais.

Refletir conjuntamente é mais poderoso do que parece.

Registre o convenção de convívio por escrito e deixe em lugar visível, compartilhe com todos digitalmente, também. 

O convenção pode ser revisado e ajustado futuramente sempre que necessário. 

Quanto mais muito feita for essa lanço, melhor será o fluxo dos encontros. Confie que vale o tempo gasto.

1.3 Recursos para se tornar um melhor anfitrião e granjeiro

Consuma com moderação. É fácil tombar na insídia da paralisia, já somos teóricos demais da conta. 

Treino é forçoso, mais vale fazer encontros acontecerem do que permanecer sozinho no quarto lendo sobre uma vez que fazer isso.

Túlio Custódio no Homens Possíveis 2017 | Foto: @ismaeldosanjos

Sugiro mesclar ações práticas e experiências com insumos teóricos. Submergir excessivamente em livros e vídeos pode ser uma vez que areia movediça.

Artigos — vale imprimir, encadernar em uma grande apostila e rabiscar com suas anotações:

Vídeos:

Livros:

Práticas e qualidades favoráveis a cultivar:

Formações:

Sem pressa cá.

Você mesmo se capacitar uma vez que professor/praticante certificado pode potencializar seus movimentos. Eu sou formado no programa “Cultivating Emotional Balance” e conduzo cursos tomando essa metodologia uma vez que base, por exemplo.

Também fiz uma submersão em auto-compaixão com Carol Bertolino (professora certificada do método proposto pela Kristin Neff), sou praticante budista e vou a retiros de prática e silêncio regularmente nos últimos anos.

Isso abre portas, expande sua rede, te permite conduzir encontros com mais facilidade e pode também te transformar internamente.

Mas não tenha pressa. Tome seu tempo antes de sentenciar investir em uma formação e avalie com extremo desvelo o(a) professor(a) e as linhagens a que se associa. Uma boa dica é ver uma vez que estão os alunos de longa data do método: progrediram, estagnaram, se perderam? 

Há charlatões pra lá de carismáticos e com um baita sorriso gravado no rosto.

Sugiro a leitura do texto “Mudar é fácil… uma vez que a gente se transforma?”, pra colocar tudo isso em contexto e te ajudar a sentenciar se deseja fazer uma formação e uma vez que escolher uma.

Dito isso, algumas formações que recomendaria:

* * *

Novamente, são só sugestões que funcionaram em minha vivência direta e na de pessoas que conheço. Zero disso está escrito em pedra e vou gostar escutar as experiências de vocês.

Ainda mais importante: não pense que precisa ter tudo isso pra estrear, não se deixe paralisar por essas sugestões. Inicie onde e uma vez que está, hoje. Uma motivação ampla e um coração disposto valem mais do que qualquer lista de livros, palestras e textos.

1.4 Ferramentas úteis para organização e informação do dedo do grupo, assim uma vez que erros a evitar e algumas boas práticas

PAI 2017, nosso evento sobre paternidade | Foto: @ismaeldosanjos

Grupos de Whatsapp e Facebook são práticos e mais ágeis. Alternativas:

  • Discourse
  • Slack
  • outras opções para fóruns online, uma vez que vBulletin e bbPress (demandam conhecimento de tecnologia pra colocar no ar e muito mais força dos caseiros pra se manter vivos, pois são menos práticos; mas são infinitamente mais estruturados e podem ser bons para grupos maiores, que aspiram sustentabilidade a longo prazo. é o que usamos na antiga Colmado e o que é usado n’o lugar, também)

O contra é que ambas plataformas já sugam muito de nossa atenção e são perigosas, uma vez que esse ex-designer de moral do Google brilhantemente explica nessa palestra do TED.

Desvelo com a sobrecarga de mensagens, isso pode exaurir o grupo e motivar a saída de algumas pessoas.

Também costuma ser bom estabelecer um convenção de convívio para a informação do dedo do grupo:

  • quais valores o grupo preza? Os valores base vão guiar uma vez que as pessoas se auto-regulam e uma vez que agem durante conflitos (que são inevitáveis)
  • a informação no grupo vai ser focada em temas relacionados ao masculino ou vale falar de tudo? 
  • quais são os limites que não podem ser cruzados?
  • há comportamentos podem levar à exclusão de alguém do grupo?
  • o grupo é fechado ou descerrado a novas pessoas? Quais os critérios para se incluir alguém novo?
  • quando alguém novo entra, é esperado que essa pessoa seja acolhida e receba as boas-vindas? 

Uma vez que inspiração, sugiro ler as “Boas práticas ao comentar” cá do PdH, resultado de anos apanhando e aprendendo.

Recomendo repostar o convenção de convívio sempre que uma novidade pessoa entrar no grupo.

Para organização de tarefas e calendário, pode ser útil ao(s) granjeiro(s) usar uma utensílio uma vez que Trello ou Basecamp.

1.5 Descobri que há pessoas no grupo que pensam completamente dissemelhante de mim! E agora?

Isso é um presente.

Vejo muito mais força em grupos diversos, nos quais as pessoas têm visões distintas sobre o mundo, política, sobre o que é o masculino e o feminino.

Tensões são bem-vindas. Não deixe de ler “Os automatismos concordo-discordo e as armadilhas do reducionismo”, de Humberto Mariotti.

Use todo o resto dos links nesse guia fundamental para mourejar e crescer com esse repto. Exclusivamente não saia correndo com o rabo entre as pernas ou culpe o outro pela sua própria inabilidade.

2. Ainda estou inseguro. Uma vez que dialogar sobre masculinidades sem me perder ou gerar ainda mais confusão em mim e nos outros?

Compreensível. Vamos por partes.

Rendeiro não é guru, super-homem, professor. Você está sentado ombro a ombro com seus parceiros de jornada, para crescer, aprender e questionar em conjunto.

Entretanto, é muito fácil mesmo se perder no meio disso tudo.

Direto ao ponto, sugestões pra não fazer merda:

  • reprofundar nos artigos que escrevi na pilar “Homens Possíveis”, são fruto de anos nas trincheiras
  • leia o texto “Solidão masculina”, um clássico do PdH
  • leia os artigos e, principalmente, os comentários da pilar “Mentoria PdH”
  • mergulhe nessa supimpa curadoria de livros sobre masculinidades na Amazon, feita pelo meu camarada Fabio (há nela o maravilhoso “História dos homens no Brasil”, chave pra entender nosso contexto)
  • palestra “O poder da vulnerabilidade”, com Brené Brown
  • leia o livro “A coragem de ser imperfeito”, também de Brené Brown (vai fundo, não é auto-ajuda barata)
  • leia o texto “Uma vez que se sente uma mulher”, de Claudia Regina
  • leia o cláusula “Feminismo pra homens, um curso fundamental”, de Alex Castro
  • testemunhar “The mask we live in”, no Netflix
  • testemunhar “Precisamos falar com os homens?” — produzido por nós, em parceria com a ONU Mulheres e um grupo fantástico de parceiros

Se quiser ir realmente fundo, pega também a trilogia “A história da virilidade”.

3. Montando um calendário de atividades para o grupo

Vejo grupos morrerem lentamente, pela força dos caseiros ir caindo, em meio a dúvidas sobre quais atividades fazer e uma vez que tornar o grupo interessante, vivo.

Outra das turmas de nosso curso de estabilidade emocional pra homens

Montar um calendário coletivamente, com participação e benção de todos, gera maior comprometimento de todos. De novo, resista à tentação de já chegar com um pouco feito. 

Um grupo que caminha junto vai mais longe. Deixe seu ego na gaveta.

Inferior listo algumas sugestões para facilitar na estruturação de um calendário.

Atividades regulares de relaxamento e guarida inicial, que recomendo abrirem todos os encontros, pra ajudar as pessoas “a chegar”:

  • reflexão
  • alongamentos e/ou posturas de Yoga, sempre com orientação pra evitar acidentes

Demais atividades:

1. Cine-debates com documentários

1.2 Cine-debates com ficções

2. Debates de livros (bom dar um mês para leitura do livro)

Cá uma bela lista de livros sobre masculinidades, curada pelo Fabio, que conheci em Brasília, no encontro “Homens em conexão”.

3. Trilhas e demais atividades na natureza

Contato direto com os elementos tratamento, abre caminhos. Não subestime a força de mato, catadupa e roda de papo na fogueira.

4. Práticas de dança, cirandas, música

5. Práticas espirituais específicas, conduzidas por professores de crédito

6. Exposição de tema seguida de diálogo em roda, tendo participante do grupo uma vez que anfitrião

7. Exposição de tema seguida de diálogo em toda, trazendo convidado próprio que seja referência no ponto (inclusive, mulheres)

8. Realizar trabalhos voluntários conjuntamente

  • Edificar uma moradia pra quem precisa, uma vez que a ONG Teto faz
  • Oferecer comida a quem precisa
  • Serem professores para pessoas carentes
  • Procurar uma ONG que precisa de ajuda e oferecer o esteio do grupo para colocara a mão na tamanho (o paisagem físico da ação é chave cá, não estamos falando de só fazer uma transferência bancária)

4. Sustentando a força do grupo: logística, exaltação e colaboração

Grupos chatos e sem força morrem, cedo ou tarde. Grupos impositivos ou rígidos demais, também. Fique cauteloso a isso.

PAI 2017 | Foto: @ismaeldosanjos

Não tenha temor dos conflitos, eles são inevitáveis. E também uma oportunidade para que o grupo solucione o travanca coletivamente e cresça.

Diante de dificuldades logísticas, peça ajuda. Vá, gradualmente, formando outros caseiros e distribuindo as responsabilidades. Você não está gerenciando uma empresa, o grupo é nutrido por processos colaborativos.

Abra espaços e permita a outras pessoas testar e errar, sem se sentirem julgadas ou humilhadas por isso.

O exaltação (ou falta dele) dos caseiros e anfitriões contagia.

Leia o cláusula “Sustentando um espaço seguro” — original em inglês e cá uma tradução livre em português. Pregue na parede do quarto, na sua testa, no armário, onde for melhor. Compartilhe com os demais.

Não sobrecarregue o grupo com diretrizes, informações, regras, proibições e boas práticas. Isso pode sufocar, tornar tudo pesado, lento, burocrático.

Sinta o fluxo e tenha jogo de cintura, uma vez que um bom jardineiro.

Celebrem! Joguem globo (ou baralho, ou o que o grupo preferir), façam churrascos (com músculos ou vegetarianos, ambos valem), vão a festas, façam as suas próprias festas, façam trilhas, cantem, dancem, se permitam também falar besteiras e serem espontâneos.

Evite um clima de sentinela ou caça às bruxas. O espaço é pra ser se crédito, sigilo e naturalidade.

É um risco jacente vocês se tornarem um grupinho de homens virtuosos fakes que se acham melhores do que os outros. Já fiz e vivi isso, é um buraco do qual se custa a transpor.

Realizem trabalhos voluntários. Usem a força do grupo pra ajudar a quem precisa.

Aprenda a alojar quem pensa radicalmente dissemelhante de você. Faça amizade com essa pessoa. E prepare-se para aprender muito sobre empatia, condolência, troca e o poder de caminharmos lado a lado, respeitando as diferenças.

A transformação real é um trabalho sujo, longo, difícil. Ela vem de mansinho, quando menos esperamos. A ininterrupção é chave, muito mais do que finais de semana catárticos. Podemos viver um dia inolvidável e, se deixarmos de praticar, tudo aquilo some, vai embora.

Siga mantendo o grupo firme em torno das práticas. Treino, treino e mais treino. Não basta aspirar sermos mais lúcidos, generosos, altruístas, é necessário praticar isso.

Se estiver confuso sobre a que me refiro quando falo de “treino e práticas de transformação”, sugiro reprofundar n’olugar, é um espaço de transformação coletiva, do qual sou um dos fundadores. Lá há um repositório imenso das mais valiosas práticas, estruturadas por professores de diferentes abordagens e tradições.

Grupos morrem, se transformam, se dividem. Ressuscitam depois ou nunca mais. E tudo muito, isso não significa nequice. Respeite, honre e aprenda com esses ciclos.

Confie, tenha paciência e fé. Abrace a jornada, ela é pra toda uma vida.

Última incerteza: achei tudo incrível. Mas me sinto sobrecarregado com tanta informação e não tenho teoria de uma vez que estrear…

Convide uns cinco amigos pra assistirem “The mask we live in” na sua moradia, é o documentário sobre uma vez que os meninos estão sendo criados, tem no Netflix.

Ofereça um lanche, bebidas geladas e conversem sobre o que acharam do filme e uma vez que ele se conecta às experiências de cada um.

Depois disso volte nesse cláusula e toque o paquete adiante.

O primeiro passo é melhor que nenhum passo.

* * *

Celebração ao final do Homens Possíveis 2017 | Foto: @ismaeldosanjos

Seguimos juntos!

Que esse cláusula sirva uma vez que semente e labareda para o movimento de transformação dos homens lucrar ainda mais vida.

Vou gostar escutar os comentários e sugestões de vocês para tornarmos esse guia ainda melhor. Escrevi em uma sentada e, de antemão, peço desculpas por eventuais deslizes.

Por término, se deseja conversar comigo para levar uma palestra, workshop ou curso para sua instituição; ou plantar uma semente desse movimento em sua cidade, envie um email em guilherme@papodehomem.com.br .

Um potente amplexo a todos e todas. 


publicado em 17 de Maio de 2018, 22:00





Fonte: papodehomem.com.br

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