“Desculpa pela primeira. Vamos tentar de novo?”

"Desculpa pela primeira. Vamos tentar de novo?"
Tempo de leitura: 8 minutos

“Desculpa pela primeira. Vamos tentar de novo?”

De um jeito ou de outro, a gente quer fazer bonito na hora do sexo. Sabe uma vez que é? Não é questão impressionar, dar show, ser pioneiro em qualquer feito… É só que seria bom se desse pra não passar vergonha. Mas o vexame, amigos e amigas, o vexame, não poupa ninguém.

É aquela brochada logo na primeira transa com quem você sonhou por anos, é a bebida que embrulha o estômago no meio do ósculo, o peido insegurável depois do rodízio de nipónico, a câimbra que te derruba do sofá quando nem podia fazer estrondo, o espumante jato de Livinho que estoura antes da hora… Quando tem intimidade, vá lá. Releva-se. Mas na primeira, no primeiro encontro? Não tem uma vez que evitar aquela sensação de ruinoso que vem na sequência, do libido indo por chuva à reles. Nessas horas tudo o que a gente quer é ser desculpado pelos tropeços e receber a oportunidade de se redimir na segunda.

“Aiai, simples que vai ter a segunda”

Eu, uma vez que pessoa-gente-da-vida-real, tenho pra mim que a primeira transa com alguém novo é sempre desastrosa. Mesmo quando não é, é. Porque ainda que a primeira vez seja permitido, tudo tranquilo, ela é só {aperitivo}, prova do potencial que pode ser explorado nos próximos encontros, e por isso toda tropeçada merece uma segunda chance. Mas e pro resto?

Fui conversar com amigos e desconhecidos para ver quais eram as histórias de sinistro na primeira, que tiveram um final feliz na segunda tentativa. No meio da procura eu encontrei ótimos causos e entendi que esse texto deveria servir pra duas coisas: 1) mostrar que todo mundo passa vergonha, meus amigos. Todo mundo – de escolados a inocentes – já brocharam logo de rosto, já, uma vez que eu posso expor, cagaram no pau no meio da transa e tiveram que virar numa saia justa. Acredite, sempre tem uma história pior que a sua para consolar. E 2) dificilmente vai ser o momento da vergonha que vai definir qual foi o balanço do encontro. Se vale uma segunda vez ou não.

Vamos às histórias.

Aliás, vamos tentar fazer cada vez mais texto com temas e histórias vindas de outras pessoas, logo se você tem interesse em saber das nossas pautas em desenvolvimento e descrever sua história, rola até lá em reles e deixa seu email no formulário.

Desventuras em série

Se apertaram tanto que escapuliu. Renata esticou logo o braço pra perfurar a janela no mesmo tempo que vazava o estrondo tá e molhado. Não deu tempo, antes de transpor pela janela passou pelo nariz.

João, que não era nenhum rapaz iniciante, que sabia o que tava fazendo, despencou pra fora do sofá muito na hora que ele foi se acomodar moça a dentro. Duas risadas – tá tudo muito gata – segue o dança. Seguiram. Mas quando subiu o cheiro de fumaça, tiveram de pausar a gracejo e mourejar com a veras na qual a cortinado entrara em chamas, depois que pavio de uma das velas aromatizadas caiu no tecido e começou o estrago.

Era um “carnaencontro”. Conjunto depois leito. Na terceira marchinha, o povo “desincronizou”. Ou era ela que tava dando pane? Vomitou na lata de lixo. Pagou um brigadeiro. Voltou pro Conjunto. Não queria estragar o carnaval dele, mas a perna falhou e – se eu não te seguro, hein. Que merda. Ela nunca tinha ficado assim. Ele decidiu levá-la pra moradia. Pegaram o ônibus, aquele sacolejo fruto da puta. Desceu vomitando na sarjeta do ponto. Dentro de si só ficou a culpa de ter estragado o conjunto e, agora, ainda tava dando trabalho pra ele. Ganhou um banho, roupa limpa, cafuné e apagou.

A Vivi, quando ouviu as molas rangendo, nem imaginou que o tablado da leito estava prestes a desmoronar. Por sorte, ninguém se machucou. Pararam para juntar as partes soltas num quina e estender o colchão no soalho. Crise resolvida, viu? Simples. Agora finalmente podiam se sentir por inteiro, e ela tava sentindo que… Cadê a camisinha? Virge, foi pra dentro. Olha aí, vê se você consegue pegar? Calma… pera, quase! Zero… Tá muito pra dentro. Ai caralho. Vivi pediu dois segundos e foi pro banheiro. Fez pose de yoga no tapete em frente ao box. “Respira concentra, aperta o diafragma, contrai o abdômen”. De novo. Agora concentra e puxa. YEY. Resgatou a camisinha, mas o clima foi ralo a inferior.

Otavio topou no pé da leito e depois foi se deitar e bateu com a cabeça na parede. Ainda investindo nos amassos, sua mão enroscou na correntinha dela, sua favorita, que arrebentou. Não queria parecer um paspalho nervoso, intimidado, mas tudo o que ele fazia para mostrar segurança saia pela culatra. Foi levantar pra pegar chuva e tropeçou no edredon. Depois engasgou com o próprio gole. Virou pro lado e dormiu.

Maria só tinha ido tomar uma breja com a amiga, falar do incidente final da série. Duas cervejas depois, rolaram pelo tapete. Desde a última sarau, tinha ficado uma tensão sexal. Aí.  Machucou? Tá sangrando? A amiga acalmou Maria, não tinha com o que se preocupar, não era zero e já tava desculpado, mas tava ardido e era melhor elas continuarem outro dia desse… quando a Maria tivesse retalhado as unhas.

Carlos passou anos na escola querendo uma chance com Fernando, que na estação nem ficava com meninos. Agora os dois estavam na mesma sarau. Outro clima, outra cabeça e o Carlos foi tentar a sorte. Fernando não se fez de rogado e conduziu o companheiro para a escada de incêndio. Que ósculo, que conexão. Depois de tantos anos… Acontece que ficou tão bom que que… droga. O Carlo não segurou o jato. A verdade é que o Fernando queria um pouco mais… não tinha nem começado. Carlos, sem saber onde introduzir a rosto, desceu pra sarau e tratou de enchê-la de cachaça.

Laura cometeu uma gafe, mas não foi só culpa dela. Poxa, faziam semanas que eles falavam sem se pegar, e muito no dia ele esquece a camisinha? E o pior era que o companheiro tava correspondendo a todas as múltiplas expectativas dela. Sabe o quê? Ela não ia parar o jogo agora não. Tirou da bolsa duas camisinhas que tinha das que usava com o Ex. XX – extra larga. O companheiro ficou encabulado, é que o pau dele tava sambando lá dentro daquela camisinha de extintor. Não que tivesse zero de inexacto com o tamanho dele, mas aquilo já era sacanagem. Ele tentou alhear, mas a porra da camisinha não parava de evadir. É coisa que mexe com a cabeça da gente, sabe uma vez que é? E de tanto tentar, brochou. Laura queria tanto, que resolveu recorrer, ofereceu lhe uma saída. Os fundos. O companheiro até se emocionou, mas não conseguiu levantar, não.

Se a vida te dá limões, faça uma caipirinha:

Se você se permitir ser muito otimista, dá até pra pensar que um vexame é a melhor coisa que pode te suceder numa primeira transa. Sim, porque é na hora da desgraça – do ponto na cabeça depois daquela batida casual na madeira da cômoda – que as pessoas mostram uma vez que lidam com as suas dificuldades. Um vexame te dá a oportunidade de mostrar quem você realmente é, e o quê te diferencia. Outrossim, passar por uma treta com alguém te dá uma certa intimidade. Vocês terão pelo menos uma história juntos pra descrever e dar risada.

E não é só papo inspiracional. Nas histórias reais de hoje, o vexame não saiu eliminando as pessoas da jogada.

Depois da brochada do rosto que não preencheu a camisinha, ele engrenou numa puta conversa com a moça, se jogaram num banho quase terapêutico e, sem pau, a moça teve um orgasmo. Quer expor, o maior até aquele dia, porque o rolo virou namoro, e ainda é. O parelha que botou queima na cortinado também resultou em compromisso.

Depois de resgatar a camisinha perdida, dar risada e conversar um tanto, a Bia e o moço sem leito recomeçaram e acabaram transando até no quintal. Deram orgulho para tudo quanto é vizinho. São amigos até hoje.

O carnaencontro virou caso sério. Toda sexta depois do happy  hour, ela ia sanar a ressaca na leito dele. O Carlos, o da escada, teve a segunda chance com o Fernando, foram para um motel. Do período de quatro horas, só usaram 3o minutos. O Carlos queimou a largada de novo.

Tentando dar a volta no fracasso

Não é sobre fazer ou deixar de fazer merda, é sobre uma vez que reagir quando a merda for inevitável.

O nervoso é nossa autossabotagem. “Eu estraguei tudo”. É um pessimismo que tira a concentração, que sequestra a gente do momento presente e leva direto pro limbo da nossa própria cabeça, onde a reflexão sobre nós mesmos vai ocupando todo e qualquer espaço. Na preocupação de nos “auto-vigiar”, de “auto-controlar”, e, ao mesmo tempo, tentar calcular o dano causado, planejar a estratégia para se redimir e fazer tudo parecer originário, a gente se perde. Não tem jeito. É muita coisa pra dar conta, não sei vocês, mas eu nunca consegui. No termo, o clima vai embora, e leva a crédito e a naturalidade junto consigo.

O melhor é dar risada. E isso não significa tombar na gargalhada, ridicularizar o outro ou fingir que achou engraçado e que “está tudo muito”, se não estiver. É, uma vez que diria nosso consultor financeiro, Amuri, “ser gentil consigo mesmo”, sem permanecer se culpando pelo que já foi. Se maltratar aquela vergonha, deixa ela vir, nem precisa encobrir, mostra o que passou pela sua cabeça e deixa partir, ir pra longe. Sem reprimir e nem cultivar.

A primeira sensação é a que fica?

Por um lado, sim. Mas nem sempre vai ser a topada no pé da leito, ou a ejaculação precoce que vai definir essa sensação. Ok, a unhada pode até ter machucado de verdade, mas o vocal foi tão bom que essa vai ser a sensação marcada. Quando eu conversava com umas amigas, algumas diziam mais ou menos assim: “Se a primeira for ruim, eu nem vou pra segunda”.

A frase pode parecer intimidadora, impiedosa. Mas, seguindo no papo, eu fui entender que o ruim não era exatamente aquela cotovelada no nariz na hora de trocar de posição, nem a brochada. Não, isso pouco importa. Coisas acontecem. O “ruim” daquela primeira vez, que pode ultimar com as chances de uma segunda, é a falta de conexão, de intimidade, de química… E esses três últimos quesitos, amigos, infelizmente a gente não tem uma vez que controlar quando vai rolar ou não.

No termo dessa jornada, a sensação que ficou e que eu gostaria de passar para vocês é que “vai permanecer tudo muito”. Foi atingido pelo vexame? Respira, lembra que você definitivamente não é o único, nem o primeiro e não será o último. Se precisar, para um pouco, dá uma relaxada. Aproveita pra jogar conversa fora, pode falar sobre isso, se você tiver vontade. Uma saída que me pareceu genial, foi inverter a situação: ao invés de justificar que, aquela dor de bojo no meio do sexo nunca tinha derrotado antes, pergunta pra pessoa que está com você se “já aconteceu alguma coisa do tipo com ela.”

Vai permanecer tudo muito, amigos, mesmo se não permanecer. A verdade é que a gente não consegue controlar as coisas. Tem dia que não dá pra evitar passar vergonha e, depois, também não dá pra controlar o libido ou a opinião das pessoas sobre a gente, nem se elas vão querer replay ou não.

Talvez, a única coisa que a gente possa fazer seja cultivar o momento: quebrar o gelo do tabu sobre o que quer que tenha realizado; se livrar de qualquer culpa e prometer que nossa cabeça esteja presente ali e não pensando na sensação que vai permanecer depois; e tentar aproveitar o momento e a pessoa ao supremo, do jeito que der.

Vem falar comigo


publicado em 19 de Dezembro de 2017, 00:00





Fonte: papodehomem.com.br

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