Dor nem sempre é falta de preparatório

Tempo de leitura: 4 minutos

Dor nem sempre é falta de preparatório

Tudo ia muito, depois do sushi e do saquê, a língua dele desfrutava da textura da músculos dela, ela farejava as coxas dele buscando o ponto mais macio para morder na hora que gozasse. Ele ansiava esse momento, enfim, em seguida finalmente teria o prazer de concretizar o ato. Encostaram ventre com ventre, sentiram as partes se tocar. Ela se estremeceu, deu pavor de doer. Sentindo que o sexo dela estava retraído, ele tentou investir em mais preliminares. Se dedicou ao ósculo e, sem descolar seus lábios do dela, tentou introduzir. Viu ela espremer os olhos e dobrar a boca. Ele perguntou se estava tudo muito e ela garantiu que ia permanecer, em breve.

Voltou duas casas antes de seguir o jogo. Respirando fundo, ela sentiu novamente a dor do pênis prestes a lhe rasgar a pele. Sabia que isso não aconteceria, mas era isso que sentia. A pequena colocou um ponto final na tentativa, não ia dar, e ele consentiu, mas quis propor soluções. Disse que ela precisaria relaxar, se deixar levar. Não era isso, ela sempre relaxa, se entregava, ficava vazia do mundo, pronta para toda sensação, mas era a dor que a trazia de volta à terreno, e não o contrário. Bom, no prelúdios era assim. Depois, a mera recordação da dor já cortava todo e qualquer sentimento de libido, e qualquer coisinha que engatilhasse a recordação dava calafrios. Começou a evitar o sexo, e, quando resolvia seguir em frente, doía tudo de novo.

Estava cansada disso, tanto que começava a chorar. Era que ela não conseguia, nascera com esse com defeito. Nunca teria isso na vida dela, isso de botar pra dentro mesmo. Nunca faria um namorado completamente feliz, sempre terminava nesse momento odioso, em que sentia-se culpada, defeituosa e desabava de chorar.

Ela já tinha procurado dois médicos. O primeiro, ginecologista varão, lhe recomendou uma pomada que funcionava porquê anestesia sítio. Chorou ainda mais aquela noite. Ele conseguiu entrar e não doeu tanto porquê nas outras vezes, só sentia um desconforto, mas isso a machucava ainda mais por dentro. Logo quer expor que para chegar ao cabo de uma penetração seria preciso dopar sua vagina e se desviar do recta de ter qualquer sensação?

Procurou outra médica, uma mulher, pensou que assim ela seria mais muito compreendida. Essa receitou uma noite em um bom motel, com massagem, vinho, jantar romântico. Ela só precisaria entrar no clima e sentir libido.

Fez tudo isso passo-a-passo com o namorado, gozou deliciosamente com o verbal dele. Ela relaxava tanto quanto era verosímil, mas era a dor que cortava o clima e não o contrário.

Nas primeiras vezes ele achava lícito essa situação de não conseguir penetrar. Concluía que seu pau era grande demais para aquela adorável pequena, mas que quando acontecesse, seria delicioso e apertadinho. Depois começou se descobrir ruim de leito, usava seus melhores truques e não conseguia dar prazer a ela. Não a ponto de relaxá-la para a penetração.

Chegou a pensar que a querida, pobrezinha, nascera frígida. Mas não, ela gozava gostava de onanismo e outras coisas. Sabia que ela queria conseguir ser penetrada, queria dar esse prazer a ela, tentava de tudo e depois se sentia culpado por ter tentado demais, talvez tivesse forçado a barra e quebrado o clima dela.

Toda aquela situação era dilacerante. Tudo o que lembrava sexo e leito fazia o coração de qualquer um dos dois se dobrar dentro do peito. Dava até uma certa azia. Os problemas começaram a extravazar a leito.

Ela não se achava mulher inteira e passou a ter pavor das outras. Se reclamava com ele, só reforçava a suspeição do rapaz que sentia que zero nele a deixava contente. O relacionamento se dissolvia aos poucos, e vendo as últimas gotas escorrerem pelo ralo, ela pensava que tudo fora culpa dela e desse seu defeito.

Alguns meses depois, um texto na internet mostrou para ela que o que ela tinha era vaginismo. Por qualquer motivo psicológico – e cada pessoa tem o seu – seu corpo criou um bloqueio contra a penetração. Ainda que ela não pensasse nisso, o corpo travava, e depois, livre ou não desse primeiro motivo, o corpo continuava bloqueando a penetração porque nas vezes em que se tentou, a dor foi terrível. O tratamento era fisioterapêutico e psicológico. Era preciso fazer o corpo perder o pavor da dor, usando primeiro próteses muito pequenas e aumentando o tamanho aos poucos, e, ao mesmo tempo, com a terapia, prometer que a trava psicológica fosse desativada.

Buscou o tratamento. O corpo dela passou a permitir a penetração, mesmo sentindo desconforto e dores. De prazer mesmo, não sentia quase zero, mas pelo menos conseguia dar um pouco dele à alguém. Considerou uma vitória a princípio, e depois chorou. Chorou muito, porque se tivesse desvelado isso antes, talvez o namoro deles não tivesse desabado. A tristeza passou, era que a terapia ajudava. Já estava se tratando há mais de um ano.

Numa viagem, resolveu ir para a leito com um companheiro de uma amiga, assim, de primeira, depois de saírem do bar. Não esperava zero quando chegou no apartamento dele, mas lá pelas 4 da manhã queria pedir ao porteiro que interfonasse a todos informando que ela finalmente conseguiu gozar durante a penetração.

Se apaixonou pelo companheiro da amiga. Talvez tenha sido o fado, sabe? Encontrou o paixão da vida, e com ele o sexo foi incrível.

Podia ser.

Ou, quem sabe, foi o sexo do bom que conquistou seu coração.


publicado em 11 de Abril de 2017, 01:00





Fonte: papodehomem.com.br

Porquê lastrar a ramificação de tarefas com a morada e com os filhos durante a pandemia?

Conteúdo Sensível
Clicar para ver artigo

[18+] Bom Dia, a volta da Jennifer Oliveira