“Eu não paro de pensar no sexo de ontem”

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“Eu não paro de pensar no sexo de ontem”

A faceta quente, mesmo na manhã seguinte, denunciava para ela mesma estar caidinha por ele. “Pudera”, ela pensou enquanto se abanava com a mão e tentava se distrair olhando para o movimento dos carros pela janela do ônibus. Estava ainda sensível da noite anterior, quando ele a levou pelo braço escada supra até o apartamento dele e, juntos, fizeram coisas que até o diabo taparia os olhos em reprovação.

Começou a refletir sobre a percepção de porquê o corpo se engana com as coisas que estão só na nossa mente. Já distante dele, que ficou dormindo enquanto ela pegava o coletivo para o consultório dentista em que trabalhava porquê assistente, ainda assim, só de relembrar na cabeça dos dedos dele, as pernas voltaram a perder as forças e o suor brotou na testa, logo inferior dos cachos jogados com pressa para trás. “Que tesão foi aquele, minha gente”.

Quanto mais tentava se refrescar sacolejando a mão em frente ao rosto, com mais calor ficava, assim porquê quanto mais tentava não pensar no sexo com ele, contando o número de postes na avenida em que o busão passava, mais ela se lembrava dos pormenores. Era o cheiro do peito dele, o jeito com que ele lhe mordia quando queria ordenar um tanto. A cada respirada, toda a sua caixa torácica balançava para frente e para trás, porquê se ainda estivesse em cima dele, em procura da recompensa mais selvagem.

Abriu os e-mails no celular, começou a conversar com um colega que estava passando pelo oposto, afundado num recém término de namoro. Mandava uma mensagem, passava a mão na nuca. Enviava outro recado de sustento para o colega que estava sofrendo e soltava todo o ar de uma vez pela boca, fazendo uma confissão sonora da ardência que lhe habitava. A atenção de fora focada na conversa e a de dentro lambendo a ponta dos dedos para repassar a leitura da noite de ontem. Apertava uma coxa contra a outra no assento do ônibus e perdia o prumo da falação do amparado. 

Chegando no consultório, tomou logo dois copos de chuva em goles encorpados, porquê se precisasse afogar-se para ver se dava jeito naquela febre. Sentada em sua mesa, organizou minimamente suas ferramentas, agenda, telefonemas, início de dia. E pegou o celular para mandar uma mensagem pra ele. Quando abriu o aplicativo, pulou o balãozinho com os dizeres dele: “Eu não sei o que tá acontecendo, mas não consegui dormir desde que você saiu e, até agora, eu só pensei na gente ontem. Tô pensando em putaria com você até agora. Será que eu tenho trato, doutora?”.

E trocaram um papo íntimo sobre as gostosuras do último encontro. Enquanto se falavam, ela deu oi para o dentista que havia chegado e, para deixar o envolvente menos tristonho e hostil para essa farra, ligou o rádio que tocava o som envolvente da recepção. Nos falantes, a Rita Lee contava tudo o que estava acontecendo…

“A gente faz paixão por telepatia”.

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publicado em 21 de Julho de 2017, 00:00





Fonte: papodehomem.com.br

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