Feminismo é PapodeHomem? [Encontro]

linha do tempo das leis de igualdade de gênero
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Feminismo é PapodeHomem? [Encontro]

Um varão. Ser varão. Varão não chora. Tem de ser cavalheiro. Tem que ter um trampo bom. Precisa de grana. Paga jantar. Compra as alianças. Dá presente. Cuida da mãe. Do pai. Dos irmãos. Prega prateleira. Usa furadeira. Arruma encanamento, vazamento e outros centos. Dá o lugar pra alguém sentar. Segura a vaga. Fica em pé. Dirige. Troca óleo. Troca pneu. Resolve. Gosta de sege. De futebol. Respeita as mulheres. É bom de leito. Faz a barba. Vai direto ao ponto. Prefere não ter DR. Só mansão se atado. Só mansão com quem quiser. Paga pensão quando engravida. Paga pensão quando separa. Faz teste de DNA. Faz xixi em pé.

Se você é varão, certamente já viveu pelo menos uma dessas situações – ou pressões – além de muitas outras. Nenhuma delas sozinha te faz varão, e o vestimenta de ser varão não te faz corresponder exatamente a todos esses padrões. Manifesto? Pois dê-se muito feliz por poder não se encaixar em vários desses estereótipos masculinos nos dias de hoje, e agradeça eternamente ao feminismo por isso.

Epa! Peraí. Feminismo?

Isso mesmo. O pensamento feminista vem questionando, desde o século XX, o porque de tratarmos uma vez que procedente papéis de gênero socialmente construídos. É devido a esse tipo de questionamento que hoje podemos refletir e criticar estereótipos e divisões tradicionais de gênero.

Quando a antropóloga Margaret Mead relatou, em Sexo e Temperamento, que o comportamento masculino e feminino não seguia em todas as sociedades o mesmo padrão que estava estabelecido na nossa cultura, não se tratava exclusivamente de tirar a mulher do lugar de submissa, mas também de conceber que os homens não precisam ser figuras opressoras. Tudo depende, justamente, de transformações culturais e no nosso pensamento.

 

É impossível falar de feminismo ignorando a figura do varão. Sendo um movimento protagonizado necessariamente por mulheres e que tem as mulheres uma vez que grupo pelo qual se luta, logo, uma vez que é isso verosímil?

Qual o lugar do varão na discussão feminista?

Assim uma vez que ser varão, certamente ser mulher não é fácil. Você já imaginou uma vez que seria, no seu cotidiano, ter que trocar de roupa por susto de caminhar na rua com determinada peça? Ou ser descreditado profissionalmente e perder uma promoção no trabalho por ter trepado com aquela colega de trabalho gatíssima?

https://www.youtube.com/watch?v=AVZSFGqQ2bk

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Há pouco mais de um século as mulheres se organizam e reivindicam direitos, políticas públicas e transformações sociais para que sua vida seja melhor, e para que possam ser tratadas uma vez que cidadãs tanto quanto são os homens. Falamos em desigualdades de gênero quando nos deparamos com casos em que uma mulher é tratada de maneira mais dura na mesma situação em que um varão desfruta certas facilidades, ou privilégios (uma vez que o caso da colega de trabalho gatona do parágrafo anterior). Quando a sociedade tem “double standards” para homens e mulheres, e a diferença nesses “standards” implica em desvantagens econômicas, sociais e de direitos, é que enxergamos o machismo diante de nossos olhos.

O machismo está em todo lugar e por isso dizemos que ele é estrutural – e afeta inclusive os próprios homens que não se enquadram em padrões hegemônicos de masculinidade.

É importante lembrarmos, porém, que é descabido confrontar essas opressões masculinas do gênero à vexação estrutural e sistemática sofrida pelas mulheres.

Nenhum varão, finalmente, ganha menos salário por ser varão, é levado menos a sério profissionalmente por ser varão, nem teve que lutar por direitos básicos por ser varão (uma vez que o recta ao voto por exemplo). Nenhum varão troca uma peça de roupa porque acha que vai ser estuprado ao transpor nas ruas, nem deixa de transpor de mansão só por estar sozinho. Nenhum varão tem sua vida sexual utilizada uma vez que critério para conseguir promoções no trabalho. O peso da obrigação social de ter filhos, ou de ceder sua vida pessoal para cuidar deles.

As mazelas do machismo para os homens são de outra ordem, raramente os coloca em desvantagem social, mesmo quando os faz tolerar. Servir o tropa obrigatoriamente, ou saber que se tem menos chances de conseguir a guarda dos filhos quando há separação litigiosa de um matrimónio, por exemplo, são a materialização de uma cultura machista. Aos homens machistas essas situações provavelmente não farão tolerar – mas e a todos os outros?

As ideias mais comuns e tradicionais sobre o que deve ser um varão e sobre o que deve ser uma mulher parecem simplesmente não fazer mais sentido no século XXI. O problema é que elas ainda estruturam a nossa sociedade – e daí a vexação contra as mulheres, e diversas situações muito desagradáveis e ruins para os homens que buscam romper com esses modelos conservadores.

 

Vamos nos encontrar 08/03 pra conversar sobre isso. Topa?

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Por isso, enquanto secção desse sistema multíplice, muito homens tem se interessado pelas questões feministas. Convidamos os leitores do Papo de Varão para uma conversa sobre feminismo no dia 8 de Março – dia internacional de luta pelos direitos das mulheres. Ao longo de três horas de papo, vamos pensar juntos sobre essa questão tão importante: feminismo é papo de varão? Se for, que papo é esse? Uma vez que é que os homens podem combater o machismo?

Para se inscrever no encontro, basta acessar o Cinese. Os editores do PapodeHomem, Jader, Luciano e Guilherme também estarão lá. Será um prazer papear com vocês no dia que marca a luta histórica de combate às desigualdades de gênero no mundo.

Lugar: Rua Ministro Ferreira Alves, 310, Perdizes, São Paulo-SP

Data: 08/03

Valor: R$11,00

Matrícula cá


publicado em 25 de Fevereiro de 2014, 10:26





Fonte: papodehomem.com.br

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