Fora da zona de conforto

Fora da zona de conforto
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Fora da zona de conforto

Quando esta página for publicada, já terei feito a maior mudança profissional da minha vida. Depois de 20 anos trabalhando em multinacionais de bens de consumo uma vez que executiva de marketing, aceitei a proposta de montar a espaço de marketing e notícia da Aproximação Do dedo, startup de tecnologia com soluções para identificação pessoal.

Não foi um processo simples. Ouvi de muitas pessoas que seria um risco. É verdade que as mudanças são significativas. Deixo uma corporação multinacional com mais de 100 anos e 100 milénio funcionários por uma empresa brasileira jovem, de quem quadro reúne algumas centenas de colaboradores (mas que sonha em ser gigante). Troco um trabalho dirigido ao consumidor por um focado no cliente. Em vez de vender produtos uma vez que absorventes femininos, falo de tecnologia.

Tomadas de decisões e transformações são segmento do dia a dia. O importante é saber por que estamos fazendo isso e se permanecemos alinhadas com quem somos e com o que acreditamos. Esse processo de reflexão profissional começou há pouco mais de dois anos, quando uma patrão querida saiu da Johnson & Johnson depois de mais de 20 anos para tocar o próprio negócio. Ela havia se prestes para seguir esse caminho e estava feliz. Passei a me perguntar o que eu gostaria de estar fazendo dali a alguns anos. Percebi que a gente pensa nisso poucas vezes – pelo menos eu não tinha oferecido muita atenção ao tema antes. Entramos no ciclo de trabalho e aprendizagem, assumimos responsabilidades e, enquanto tudo está dando manifesto, o embarcação segue sem ponderações. De repente, cai a ficha, e o incômodo que surge faz questionar se aquilo é o suficiente, se traz felicidade.

Aí não tem jeito. Precisa arrumar tempo para se saber melhor. Tive uma coach que me ajudou a resgatar quem sou, a entender o que faz com que me sinta realizada e a redescobrir minhas forças. Sempre disse a meus filhos que vamos melhor na escola em matérias de que gostamos, mas eu mesma não estava ouvindo esse recomendação. Adoro conectar pessoas e falar sobre porvir. Entendi que precisaria de um envolvente com mais autonomia e de um ritmo mais rápido. Comecei do zero me apresentando a pessoas de startups e outras empresas do ramo. Fui a reuniões, cafés e almoços para trocar ideias e tomei muitos nãos. Achavam que eu era sênior demais, que não me adaptaria a pequenas estruturas. Até que conheci o Diego Martins, sócio-fundador da Aproximação Do dedo. Tivemos conversas encantadoras sobre desburocratizar o mundo por meio da identificação pessoal.

O gosto para se conciliar rapidamente às mudanças e a vontade de transformar o negócio em alguma coisa grande e relevante já eram reais e a empresa estava crescendo em ritmo rápido. Senti que queria estar com aquelas pessoas naquele projeto. A robustez era boa. A proposta veio em pouco tempo. Antes que eu estivesse preparada, na verdade. Decidi propor a mim mesma mais reflexões. Quis entender mais da cultura da empresa. Voltei à Aproximação Do dedo e conversei com funcionários para desvendar mais do envolvente. Perguntei sobre visão, planos, quis saber das dores pelas quais estavam passando, qual seria meu papel e quanta autonomia teria. Tive certeza de que poderia contribuir. Também fiz uma boa diligência e falei com muita gente que conhecia a Aproximação Do dedo para averiguar a integridade da companhia. A cada um desses passos, eu ganhava crédito. As conversas me energizavam. Também sentei para debater a decisão com meu marido e meus filhos.

O mundo das corporações pode parecer menos aventuroso, mas está sendo chacoalhado pelas transformações culturais e digitais. Minha novidade invasão pode dar incorrecto? Sim. Há risco? Simples. Mas, uma vez que me disse um dos conselheiros da Aproximação Do dedo: “Se der incorrecto, já deu manifesto”. Pelo menos terei me desafiado e aprendido lições. Com mais de 20 anos de curso, se precisar procurar tarefa daqui a qualquer tempo, não será a primeira vez. Só que terei mais autoconhecimento e a vivência de ter saído da zona de conforto e ganhado novas perspectivas.

Gabriela Onofre é vice-presidente de marketing e notícia da Aproximação Do dedo. Trabalhou 17 anos na Procter & Gamble e três anos na Johnson & Johnson

Manadeira: claudia.abril.com.br

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