Há um limite do pranto para líderes?

Há um limite do choro para líderes? – PapodeHomem
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Há um limite do pranto para líderes?

Com o assobio final do juiz posteriormente o 2×0 agoniante sobre a Costa Rica, Neymar se ajoelhou em campo, cobriu a face com as mãos e chorou. Seus ombros subiram e desceram discretamente três ou quatro vezes, indicando soluços e respiração descompassada. 

Lágrimas emocionais surgem acompanhadas de uma petardo hormonal composta por prolactina, hormônios à base de proteínas, hormônio adrenocorticotrófico e encefalina leucina (um analgésico originário).

Essa mistura oferece conforto e relaxamento, além de convocar pessoas próximas a um amplexo, reforçando as sensações positivas de protecção por meio do toque e calor humano.

À medida em que amadurecemos, os gatilhos de nosso pranto se tornam mais complexos.

Enquanto bebês e crianças choram por emoções mais básicas, adultos derramam lágrimas por um leque muito mais vasto. Apego, empatia, dor, euforia, êxtase sexual, dores e sentimentos compartilhados socialmente, aflições abstratas e crises existenciais, assim porquê por questões morais e éticas.

Às vezes, uma combinação de emoções aflitivas e alegres se juntam em uma descarga difícil de compreender.

No caso de Neymar, é fácil supor alguns desses gatilhos. A lesão logo antes da Despensa e o três meses de inatividade, o escrutínio vernáculo e internacional 24 horas por dia, possíveis dores que esteja escondendo para que adversários não se aproveitem, os próprios demônios internos (tão comuns e subestimados em esportistas de escol), o gol no último lance, a juventude.

Não tenho a menor teoria do que deve ser contratar com uma enxurrada de críticas e elogios sobre mim, comentando meu cabelo, minha rostro, minha performance, todos os dias. 

Quando comentários pesados demais lotam as caixas do PdH, isso me afeta. Porquê empresário, perdi a conta de quantas vezes chorei — a maior segmento delas sozinho ou próximo a pessoas muito queridas. Só com o tempo (e pancadas da vida) veio a crédito para o ocasional pranto com outros próximos.

Acredito que 99.9% das pessoas que criticam o Neymar também não conseguem chegar perto do que ele sente. Isso não é uma resguardo de seu desempenho (ou falta dele) em campo, é um argumento em obséquio de sua humanidade.

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O pranto dos homens tem me interessado cada vez mais.

Tenho rodado o Brasil conduzindo e participando de rodas sobre masculinidades e isenção de gênero. É geral escutar e debatermos sobre ser ok varão chorar sim.

 

Mas até que ponto? 

Alguns dizem, “chore o quanto quiser, isso só te faz muito e não é problema qualquer”. Entretanto, tenho minhas dúvidas sobre em quais contextos essa sugestão se sustenta.

Enquanto escrevo esse item, o Twitter contabiliza milhares de menções para Neymar e pranto. Os primeiros textos nos portais esportivos noticiando o trajo já saíram. Logo chegam as análises sensacionalistas e rasas, que pouco fazem além de aumentar a histerismo dos torcedores.

Agora, cá no PdH confio que podermos ir além do relato indiferente em nossa conversa.

Pranto tem sido tema crescente de pesquisas ao volta do mundo. Estudos confirmam que as mulheres choram mais do que os homens. Algums sugerem três a quatro vezes mais, porquê esse da Liceu Americana de Oftalmologia.

Já a Associação Americana de Psicologia sugere que elas choram em média cinco vezes por mês e os homens, uma. E que as lágrimas delas tendem a ser mais intensas e persistir mais.

O trabalho do psicólogo e pesquisador Ad Vingerhoets propõe que elas choram 30 a 64 vezes por ano e eles, 6 a 17 vezes por ano — números reportados pelos próprios participantes do estudo, cabe manifestar. Segundo ele, uma das razões estaria ligada aos dutos condutores de lágrimas mais estreitos das mulheres. Ou seja, se enchem e transbordam mais rápido.

Vingerhoets é ainda responsável do livro “Why Only Humans Weep: Unravelling the Mysteries of Tears” e palestrou no TEDx sobre pranto, defendendo sua valia evolutiva para nossa sociedade.

Quem sabe essa relevância evolutiva esteja conectada a vermos cada vez mais líderes em lágrimas na mídia. Esportistas, empresários e políticos. Em 2016, quando Obama chorou ao falar sobre mortes por armas de queimação em escolas, ao final de seu segundo procuração. Foi largamente elogiado pela frase de autenticidade.

 

Sua fala se tornou mais lenta e os olhos ficaram vermelhos. Ele fez silêncio, a voz embargada. Abaixou a cabeça brevemente, enquanto respirava. A primeira lágrima escorreu enquanto buscava encontrar as próximas palavras. Limpou com o dedo mais quatro lágrimas, rapidamente levantando a cabeça e reposicionando o queixo, firme.

Em totalidade, estimo uns dez segundos de pranto, bastante contido. Porquê se “espera” de um líder, alguns diriam.

“Quanto tempo as pessoas choram por vez?” — homens em azul, mulheres em vermelho. Fonte: pesquisa de Ad Vingerhoets, da Tilburg University

Na Harvard Business Review, um supimpa debate questionou se os líderes estão emocionais demais, na mesma era do pranto do Obama.

Segmento do consenso entre os especialistas foi que expressar mais de nossas emoções no envolvente de trabalho tende a ser saudável e necessário para se produzir um espaço mais humano.

Indo além, o pranto dos líderes pode enviar uma mensagem poderosa e fortalecer a motivação e crédito da equipe, mostrando que a pessoa adiante de tudo está com o coração envolvido.

O asterisco: desde que o pranto não seja frequente demais ou desesperado.

É justamente a raridade da ocasião que a torna poderoso, afirmam. Segundo eles, emoções transbordando no contexto profissional não parece alguma coisa propício, exceto em momentos de gigantesca pressão ou descarga. 

A perspectiva histórica do pranto dos homens

O belo livro “Crying: a originário and cultural history of tears”, comentado pelo “Art of Manliness”, nos mostra porquê o pranto masculino atravessou inúmeras mudanças de conciliação com a era e sociedade.

No heróico poema “Ilíada”, do helênico Homero, vemos o heróico rei de Ítaca, Odisseu, chorar várias vezes. Ele derrama lágrimas por seu lar, pelas pessoas amadas e pelos aliados mortos em combate. Entretanto, nunca chora por solidão ou frustração, alguma coisa supostamente inabilitado pelos deuses. Na maioria das vezes, Odisseu tenta chorar distante dos olhares de seus súditos.

No Velho Testamento e nos épicos medievais japoneses e europeus, assim porquê nos clássicos da era romântica, vemos incontáveis exemplos de pranto masculino na literatura e nas artes. Em próprio quando se trata de assuntos espirituais, guerra, morte das pessoas amadas e luta por ideais.

Com o Iluminismo, surge um ideal mais racional de masculinidade. A era Vitoriana celebra o pranto e as emoções excessivas porquê virtudes naturalmente femininas e frágeis.

E o primórdio do século 20 carrega tudo isso ao nos oferecer a noção do homem-sem-lágrimas.

Pouco mais de século anos depois, em pleno século 21, basta olhar para o lado e fica óbvio o quanto isso já mudou. Em certas ocasiões chega até a ser esperado que homens chorem mais do que mulheres.

O quão duro é nosso julgamento com o pranto dos atletas?

Encontrei um interessante estudo sobre a percepção do pranto em atletas, orientado pela Indiana University, publicado no “Psychology of Men & Masculinity” e comentado pela “Psychology Today”.

A pesquisa foi feita com 150 homens universitários, jogadores de futebol americano. 

Foi entregue um breve texto ficcional a cada um deles, sobre uma situação vivida por um jogador chamado Jack. Esse relato variava de conciliação com dois aspectos: vitória ou roteiro; e a reação de Jack ser chorar ou chorar soluçando.

De modo universal, os jogadores consideraram o pranto ok, independente da vitória ou roteiro. Mas boa segmento deles considerou “chorar soluçando” além do propício.

Os pesquisadores cruzaram as respostas com duas outras variáveis: a percepção de auto-estima dos próprias participantes; e a concordância deles com normas de masculinidade à saudação da premência de controle emocional dos homens.

Os jogadores que julgaram de modo mais duro e crítico o pranto do desportista ficcional tinham maior tendência a apresentar auto-estima mais baixa e maior concordância com normas tradicionais de masculinidade. Apesar de eles mesmos admitirem que provavelmente chorariam na mesma situação.

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No Twitter, campo fértil de pesquisa, observamos as reações mais diversas:

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Nas palavras do próprio Neymar:

 

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Atletas de escol são humanos.

Ainda assim, escolheram estar em um contexto de competição brutal. Convivem com dores quase diárias e levam o corpo ao extremo. Estão em guerra, com os adversários e com os próprios limites, físicos e mentais.

Quando em guerra, o emocional dos líderes pode desmontar uma equipe. Ou fazê-la crescer. A reação emocional não é o problema, a chave é porquê o tipo e o grupo lidam com ela.

Pra você, porquê interpreta o pranto de Neymar? E na sua vivência pessoal, porquê e quando chora?

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Links de aprofundamento:


Homens possíveis é uma pilar quinzenal, agora de volta.


publicado em 22 de Junho de 2018, 14:26





Fonte: papodehomem.com.br

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