Menstruada, a semana proibida?

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Menstruada, a semana proibida?

Cinco dias acordando e checando se o lençol está muito, buscando o banheiro mais próximo para casos de emergência, garantindo que absorventes estejam pelas cômodas, escritórios, bolsos e temendo que a hora da chegada de cólicas estranguladoras.

A mênstruo é chata, mas bondoso. É ela quem marca o término da aterrorizante TPM e anuncia o sucesso da pílula e da camisinha. Deve ser por isso que as mulheres nos comerciais de absorventes estão sempre contentes. Deveria mesmo ser comemorada. “Desceu! E aí,Na sua vivenda ou na minha?”.

Dos males inevitáveis que o período traz, a falta de sexo não deveria ser um deles. Por que evitar recostar aquilo naquilo durante aqueles dias? Não faz sentido. Esquivar-se é um hábito retrógrado, legado dos séculos em que a mênstruo era tomada por um tanto sujo, nefando, perigoso até mesmo ao olhar. Não é! É só um fluido que sai do mesmo lugar que aquela lubrificação branquinha e angelical. É só um fluído de órgãos sexuais, porquê o sêmen. Sexo anal, por exemplo, com chuca ou sem chuca, sempre pode rolar qualquer contato com a material que ali habita e tudo muito, não é mesmo? Faz secção. Não tem porquê evitar a mênstruo, que nem excremento é.

A evasão também pode ser só vergonha, vergonha de que se tenha nojo. Ou hábito. É que se em alguns ficaram os resquícios da repulsa, em muitos ficaram o simples hábito de não se meter no meio do ciclo. Homens e mulheres aceitam que aquela é a semana proibida e nem tocam no tema. Ela diz “hoje não, to menstruada”. Pensa que ele não vai querer mesmo, não naquelas condições. Ele diz “Tá bom”, pensa que ela que não quer naqueles dias, que deve ser desconfortável.

A grande senão é que o vermelhento escorre e o risco de deixar provas em lençol de mãe, no banco do carruagem, pode não valer a pena. Mas vai, uma toalha resolve. Ela nem é tão tsunami assim. As vezes, os traços de sanguíneos só riscam a camisinha, o meio de campo felpudo, e o indicador participativo.

Até quando as evidências ficam na cena do transgressão, são assim, pingados de um nariz esporrado, zero de assassínio a queima roupa. Chuva e sabão resolvem e nem é preciso Vanish.

Deixa eles brincarem que depois o sabão em pó lá cuida

Vergonha, hábito, nojo, tudo quinquilharias que guardamos. Deixássemos isso de lado, desfrutaríamos as maravilhas da semana escarlate, que não tem zero de proibida. É, inclusive, das mais permitidas. Os primeiros dias são os mais seguros da tabelinha e esses porquê todos os outros vem com bônus de lubrificação proveniente, densa e contínua. Outrossim, os hormônios que trazem os dias sanguinários também carregam consigo doses cavalares de libido.

Se durante a TPM até o mercantil de margarina anti-colesterol arranca lágrimas, quando o incêndio de artifício da vitória ruborizar, uma simples propaganda de desodorante, um carrinho de churros, um “quer salsicha?” chega a dar trimiliques. O consorte aparece desavisado. “Oi, pode entrar, não faça cerimônia”. Tudo é mais. Mais sede, mais quentura, mais melado, mais preso. Sublime. Resfolengando, ainda sem e muito sangue circulando na cabeça, ele senta para tirar a camisinha e só portanto percebe os vermelhaços e vermelhões.

Tudo é reservado quando a rosa vermelhar, não sejamos caprichosos.


publicado em 30 de Agosto de 2016, 00:10





Fonte: papodehomem.com.br

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