Namoro ou praia? | Do Paixão #71

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Namoro ou praia? | Do Paixão #71

Um ritual. Passara toda a sétima e oitava série imaginando porquê poderia se aproximar dela e finalmente aconteceu o invitação. Meio reclinado no batente da porta da classe, meio olhando para reles, meio que falando mais reles do que cima, ele meio que comentou que tinha uma sorveteria novidade no bairro, coisa de duas quadras do prédio do escola, e que talvez, não era certeza, ninguém tava muito aí, que tudo muito se ela dissesse que não, que ela poderia ir com ele e mais uns dois amigos lá testar a sobremesa, que poderiam ir andando, que se ela quisesse, simples, poderia invocar mais alguma amiga, que eles pagariam, simples, o sorvete delas.

Daí, com ela dizendo que sim, que amanhã poderia ser um bom dia, fez com que ele cumprisse os ritos de se arrumar para o encontro. Arrumou os cabelos com umas pomadas que o irmão aos velho tinha no banheiro. Simples que passou resultado demais e seu topete ficou meio estranho. Trocou de roupa algumas vezes e ficou invencível quando sua mãe entrou no quarto perguntando da bagunça de camisas e tênis espalhados pela leito. Pegou escondido o perfume que o pai dizia usar quando tinha encontros importantes no trabalho e se cheirou percebendo o invólucro da vitória apertado em seus ombros e no peito. “Agora vai”, pensou se olhando no espelho enquanto repetia gestos e feições típicas de quem não está se importando muito. Por dentro, sua boca era um deserto e o estômago estava embrulhado.

Na saída das aulas, fez umas poses forçadas no muro da escola, porquê se estivesse na dele, porquê se fosse um blasé, porquê se ele fosse muito “cool” para se importar com a sorveteria ou com as companhias que estariam com ele na hora da ida. Foram em três, ela e ele mais um camarada. Lá, ela pediu para ir ao banheiro lavar as mãos e ele obrigou o camarada a ir embora, prometendo dois sorvetes na próxima ida. Queria ter o tempo para se mostrar para ela seu verdadeiro “eu” que ele ensaiou a noite toda.

A rapariga retornou e parecia ter pretérito três vidas entre o transpor do banheiro e desfilar com seu AllStar e uniforme da escola até o esquina do balcão onde ele a aguardava. Ele decorou cada pormenor do jeito de caminhar dela e as palavras escorregaram goela aquém junto com o sorvete. Dois minutos sem falar zero até que ela perguntou do outro camarada e ele disse que houve uma emergência e que, enfim, estavam só os dois.

Tomaram o gelado, ele pagou. Ficaram mais uns bons dois minutos na lajedo na segmento de fora, ela olhando o final da rua, ele “não ligando” roçando a borracha branca da sola do tênis de um pé no outro. Até que ela perguntou se ele a achava formosa. Voltou o deserto e o laço na ventre. Olhou pra ela e disse que sim, mas um falar meio para dentro, porquê se chupasse o ar em vez de expeli-lo. Comentou, quando se recompôs, que desde a sexta série achava ela a rapariga mais formosa da turma, que sempre quis falar isso pra ela. A rapariga sorriu e perguntou porque, portanto, ele não a chamou para transpor antes, quis saber se na sarau da Bia ele queria ter ficado com ela, porque ela percebeu ele tentando se aproximar, ciscando por perto dela o bailinho todo, mas sem de vestuário chegar junto. E ele comentou que sim, que queria. Disse que não sabia ao perceptível porque não teve a coragem de fazê-lo de vestuário.

“E você ainda quer?”, ela perguntou. “Permanecer comigo?”, ela enfatizou.

Deserto. Nó na pança.

Tudo o que o garoto conseguiu foi oscilar a cabeça afirmativamente, e não afastou o rosto quando ela se aproximou vagarosamente e fez os lábios dela encostarem nos dele num ósculo simples, mas que era uma prova muito contundente na cabeça dele de que ela também gostava dele.

O firmamento. Pegou na mão dela, andaram mais umas quadras ainda sem falar zero, mas estranhamente o entrelaçado no bucho havia sumido e oferecido lugar a uma avenida de euforia e da certeza dos jovens. Agora estava tudo resolvido e muito. Havia apanhado seu grande objetivo. Tinha oferecido perceptível. Trocaram mais alguns beijos pelo caminho, ele se puxando para colocar as costas contra alguma parede e trazê-la para perto para uns amassos. Já quase perto da escola, a postura era da mais subida qualidade, tranquilo e sereno, porquê se estivessem juntos há séculos. Contou pra ela de alguns planos que estava pensando para as férias, de namoricos e encontros, de passeios e conversas. Tinha coisa boa de sobra pra fazer. “Mas… eu tô indo pra praia com os meus pais agora nas férias”. Ela fez despencar a frase feito pedregulho na testa dele. “Mas amanhã você vem? Na última lição?”, questionou ele porquê quem quisesse a última pinga do pote. “Não venho. Amanhã tiro o dia pra arrumar as coisas com ele e daí, à noite, nós vamos”.

Olhou para os dois lados buscando soluções, apertou a mão dela sem muita força tentando retardar a passagem do tempo, montou quebra-cabeças na mente e chegou à óbvia desfecho que teria de esperar. Aguardaria o revinda dela para prosseguir com o sonho. Enfim, para quem esperou alguns anos, o que seriam duas ou três semanas longe? Voltou a sorrir, pediu um ósculo pra ela e foi prontamente atendido. E soltou: “Já posso te invocar de namorada?”. Novo silêncio, agora com ela olhando para o pavimento. “Eu queria não pensar nisso agora. Eu quero pensar na praia, aproveitar a praia. Acho que é melhor a gente falar. Da praia”. 

Mas não falaram. Ficaram quietos e imóveis, porquê se o subsistir de um atrapalhasse o subsistir do outro, porquê se qualquer corpúsculo em movimento pudesse acarretar em uma explosão nuclear. Até que ela recebeu uma mensagem com o aviso de que sua carona estava chegando e precisava ir embora. Sem muito jeito ela se levantou, puxou ele também para cima e lhe deu mais um ósculo. Saiu sem falar mais coisas. Sabia que se veriam no ano seguinte. Ele ficou mais meia hora na quadra, olhando as lascas que saiu da pintura das traves, medindo os passos entre uma traço lateral e outra. E foi pra mansão, não sem antes passar no banheiro e jogar uma chuva no cabelo.

Não queria marchar na rua sozinho com aquele topete estranho.

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publicado em 22 de Dezembro de 2017, 00:00





Fonte: papodehomem.com.br

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