O que a vida separou, o Tinder une de novo

O que a vida separou, o Tinder une de novo
Tempo de leitura: 4 minutos

O que a vida separou, o Tinder une de novo

Separou-se do marido depois de seis anos de matrimónio. Foram dois meses até sua ex-cunhada, em uma visitante, tomar o celular da mão dela e encolher o Tinder. “Você precisa trespassar dessa e saber outras pessoas”. Saiu com três caras, todos chatos. Tentou desinstalar o aplicativo e viu o aparelho desligar muito na hora da pergunta “você tem certeza disso?”.

A quarta tentativa partiu dele. Chamou e ela deu match. Doze minutos de conversa e ele já a estava chamando para manducar alguma coisa. “Ah, por que não?”, ela pensou, “pra quem ia manducar sozinha, pelo menos tenho companhia por meia hora.

Se arrumou, não muito para não parecer oferecida, mas também não queria trespassar desleixada demais para uma primeira vez. Enquanto seguia para o ponto marcado, percebeu que suas pernas caminhavam em velocidade reduzida, porquê se não quisessem muito obedecer seus comandos. Uma pequena sofreguidão. Estranhou seu comportamento. Não estava com expectativas, apesar de não ter tido nem meia dúzia de encontros depois de um bom tempo se relacionando só com uma pessoa. Mas cogitou ser a falta de mais informações que pudesse ter criado essa coisa curiosa dentro dela. “Moca, eu mal falei com o cidadão e tô na rua pra me encontrar com ele”. Não era muito qualquer risco que a inquietava, estava indo vê-lo em um espaço público e pleno, mas a curiosidade de ser a primeira vez, desde que se colocou disponível para encontros, que estava sentindo essas coisas estranhas pelo corpo e esse flutuar da cabeça, uma espécie de vergonha e vontade de se mostrar ao mesmo tempo. De repente, se pegou jogando o cabelo para trás com as mãos, porquê se quisesse melhorar sua imagem no caminho. Olhou-se no revérbero do telefone, abriu para reler com mais cuidados as palavras que ele usou para convidá-la. Sorriu.

Ao chegar no sítio, procurou nas mesas a figura que pudesse se parecer com a que ela viu no app. No fundo, um face se levantou e na mesma hora parecia que o soalho tinha começado a tremer, mas eram só os joelhos dela. A voz dele estava dissemelhante, mas o tom era o mesmo e, mais ainda, o jeito de falar permanecera o mesmo. Pelas fotos não desconfiou, mas ali, juntos, não foi necessário mais que o primeiro momento para ela se lembrar. Namorou com ele por alguns meses quando tinha quinze anos! Coisa de moça, negocinho de garotos. Ele morava no mesmo bairro que ela e naquela fita de idade, faziam segmento de uma mesma turma. Trocaram beijos em uma daquelas festas juninas da igreja, continuaram a entreter no dia seguinte e ficaram de namorico. Mas foi passageiro, porquê tudo na juvenilidade. O bairro ficou maior, a cidade também. Foram estudar em lugares diferentes e passaram a frequentar lugares diferentes. 

Só que estavam ali, depois de os dois terem pretérito por casamentos que terminaram, ele já com suas filhas e tão espantado quanto ela. Comentou que não tinha ligado o nome àquela moça que ele pegava na mão quando moleque. Eram as mesmas pessoas daquela idade, mas completamente diferentes daquele recorte. Ficaram curiosos para saber no que haviam se tornado, quem aquelas crianças eram hoje. Mataram a primeira hora, evidente, relembrando da turminha e da rotina de garotos, as brincadeiras de rua e as broncas dos pais, dos amigos que andavam com eles, de quem foi pra onde, “essa foi morar nos Estados Unidos”, “aquele virou caminhoneiro, olha que coisa”, “ah, esses dois não tinham outro caminho se não permanecer lá mesmo, naquele bairro. Devem estar a mesma coisa até hoje, soltando pipa barbados”. Riram, relembraram, chegaram no namoro que tiveram, ele comentou que gostava do cabelo dela naquela idade, ela disse que o ósculo dele foi o melhor até entrar na faculdade. Entraram no convenção que precisariam provar parar ver se ainda encaixava. 

Estão namorando há seis meses.

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publicado em 06 de Julho de 2018, 00:00





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