Papo de bar | Do Paixão #55

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Papo de bar | Do Paixão #55

Tudo parecia tão manifesto, correto. Estávamos ali, exercitando a prática de inventar assuntos para perpetuar aquele estado a quatro: eu e ela, ela e eu.

E ela era tão mais quieta que eu…

Mesmo assim, suas palavras deslizavam a língua com uma serenidade de dar inveja. As frases iam sendo executadas com primor, alisando o ar com perdão. Em contrapartida, eu despejava pensamentos impetuosos em uma tentativa de provar o recente apego. Essa vitalidade se dava também uma vez que medida de combate diante da austeridade procedente de quem acabou de me saber. Jogava com força para quebrar de início as barreiras de uma rapariga interessante.

Mal sabia ela que o que mais me atraiu foi sua amabilidade no mourejar com as coisas e não os delicados traços de seu rosto. Não que ela precisasse necessariamente saber disso, ou melhor, não que carecesse ter esse conhecimento de modo direto, por alguma asserção minha, qualquer encómio que hierarquizasse as importâncias de maneira errada. Bastava um pormenor a mais, em meus atos ou na atenção dela. Alguma minuciosidade que indicasse: “ok, não é só mais uma pegação”. Eu nunca seria hipócrita de negar o irrefragrável, a vontade, mas não seria eu a expô-los quando o que dava perdão naquela experiência era o jogo.

Mas o imediatismo em seu oração foi tomando mais liberalidade e passei a lucrar maior desenvoltura, uma conversa mais desejável, enxurrada de miudezas e afirmações mais aprazíveis. Enfiei delicadezas, um sorriso, dois elogios. Até que minha soltura culminou em um gracejo considerado… demais.

“Nossa, mas seus olhinhos, esse seu narizinho, olha só essa franjinha e…”

“O resumo desse encontro é mais que o meu rosto”, arremessou sem dó a mocinha que voltava a se retrair. Direto no estômago. Palavras medrosas me escorregavam goela inferior e, na cabeça, só pensamentos monossilábicos se formavam. “Mas. Só que. É…”. Evidente que, na minha idade, essas sensações ambientam por fração de segundo e a ininterrupção do papo se apresenta uma vez que o melhor contra-ataque.

Apanhei-a com explicações também sinceras para deixar atestada minha curiosidade de saber mais daquela pequena que ia se mostrando mais simpático. Só me intrigou o indumentária de minha própria atitude ter se voltado contra mim de modo tão torto. Pensei estar mostrando curiosidades maiores que as do magia por aquele rosto lindo e acabei levando um rebote instintivo.

Zero fora da normalidade, mas eu jurava que cá batia um coração…

Obs.: Leste texto foi originalmente publicado na Meio-Fio #40.

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publicado em 14 de Abril de 2017, 00:00





Fonte: papodehomem.com.br

Não era de submissão que ela gostava no sexo

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Bom dia, Melmoarah Amaral