Por que os homens querem tanto um pau maior?

Por que os homens querem tanto um pau maior? – PapodeHomem
Tempo de leitura: 6 minutos

Por que os homens querem tanto um pau maior?

A discussão sobre o “tamanho é documento”, não é novidade, mas ainda não ficou velha. A pulga detrás da ouvido ainda perturba homens de diferentes idades e tamanhos. Pensei umas três vezes antes de fazer esse texto, até porque ninguém aguenta mais notícias do tipo “tamanho é documento?”, “saiba qual é média de tamanho do pênis”, etc.

No universal, se conclui que não é tão importante assim, que às vezes faz diferença, às vezes não. Amigas e amigos, defendem que o falo médio costuma ser mais gostoso que o grande. Nos fóruns na internet, há quem roupão o pé que ‘maior é melhor’, mas outros milhares dizem que o pau grande é superestimado. Inclusive, estudos mostram que se as mulheres pudessem escolher um pênis ideal, escolheriam um de 16 centímetros e não os cultuados 20 cm do pornô.  

Eu achei que valeria a pena grafar sobre isso porque, se por um lado, há anos que se fala sobre, por outro, o tema ainda cutuca a autoestima de homens. Daqueles que mesmo que não estejam insatisfeitos com seus pênis, se questionam se não seria melhor ter alguns centímetros a mais; daqueles que se veem distante do padrão mais “desejável”; dos homens trans, das pessoas intersex…

É importante findar com a supremacia do pau enorme, fazer com que mais homens se sintam muito consigo mesmos. No entanto, estive pensando que parar de vangloriar o pau grande porque o médio seria melhor também não funciona muito muito. Seria porquê transferir a grinalda mas manter a mesma organização da supremacia. Por mais que o pau médio contemple mais pessoas, ainda assim estamos valorizando um padrão que deixa outras pessoas de fora. E qual é o sentido da gente permitir que o falo e que a ereção sejam responsáveis por assinar atestados de “normalidade” ou “funcionalidade”, excluindo outras possibilidades tão ricas.

Mas já que estamos cá falando de tamanho, não queria especular sobre as vantagens ou desvantagens do pênis maior e mais largo ou do médio, ou do pequeno, do inexistente. Não. Acredito que seria melhor pensar na raiz, enfim, porque o tamanho justificação instabilidade? Porque é importante falarmos sobre isso?

Gostaria de propor alguns pensamentos pra gente conseguir – aos poucos – superar os complexos sobre o tamanho de pau, sem precisar se estribar em um outro padrão ideal. Primeiro, é sempre importante a gente tentar identificar os motivos mais profundos que fazem isso ser um tema tão importante.

No fundo, porque queremos um pau maior?

Cada um vai ter sua própria resposta para isso, mas podemos pensar em algumas respostas gerais que se misturam e se combinam de pessoa para pessoa.

Pânico de não ser desejado

Não é diretamente sobre não dar prazer às outras pessoas, mas é umas instabilidade sutil sobre o quanto o próprio pênis é ou pode ser um objeto de libido para as outras pessoas. É um temor sobre ser preterido antes mesmo de ter uma chance de se provar, de provar que tem potencial para deleitar e satisfazer.

Vontade dar mais prazer para a/o parceira/o

A vontade de dar mais prazer geralmente vem acompanhada do pensamento de que um pau um pouco maior sempre potencializaria a sensação e o prazer do/a parceiro/a. Por mais que os parceiros destas pessoas se digam satisfeitos, soa sempre porquê um consolo, porquê um “eu estou satisfeita/o APESAR do tamanho do seu pênis”. E quem ouve chega a peroração de que, mesmo que o parceiro se diga satisfeito, ele estaria mais satisfeito com um pouco mais de pau.

Instabilidade de ser trocado

É o temor de que, mesmo que se esteja dando prazer, pode vir alguém com um pênis maior, com essa cereja em cima do bolo, que completa o sexo e satisfaz sem nenhum “apesar”. Essa instabilidade também mete temor porque, teoricamente, não depende da vontade de ninguém. Não é porquê se o rosto com o tamanho menor pudesse caprichar mais no verbal pra gratificar, porque quando surgir alguém que capriche igual e que ainda tenha um pau maior, não há porquê competir.

A questão estética

Nesse caso, as inseguranças não atingem tanto as relações. Desejar um pau maior por estética seria aquele libido de corresponder ao padrão, de pertencer ao topo da pirâmide, ao grupo dos mais desejados, de poder usar sunga sem vergonha, é o libido de não ser intuito de piadinhas nos vestiários.

Que tipos de compreensões podem fazer com que isso seja um incômodo menor?

1) Atingir o tamanho desejado não necessariamente significa permanecer satisfeito.

Se tem uma coisa que os realities de cirurgia plástica podem nos ensinar é que nunca é o suficiente. As histórias são sempre as mesmas: “eu sou inseguro por justificação do (insira cá seu “defeito”), isso atrapalha minha vida, e eu seria mais optimista e feliz se eu tivesse (insira cá seu “libido”). Acontece que a cirurgia costuma resolver o problema por um tempo, e logo surge outro. Se o nariz incomodava, agora serão as orelhas.

O padrão muda com o passar dos anos e, mais do que isso, o critério de cada um sobre o que é pertencer ao padrão também muda. “Nunca é o suficiente” disse, com muita razão, um dos médicos do reality. Nunca será o suficiente, enquanto a nossa solução para a instabilidade for “corresponder ao padrão”. Corresponder demanda um gasto imenso de tempo, de verba e de saúde, e o padrão simplesmente não é alcançável porque ele é múltiplo, está em regular mutação e só é perfeito visto de longe.

O que faz a gente se incomodar com o físico, é um tanto que secção de dentro da gente. É uma vontade de ser melhor, de ser mais desejado. Mas se mudar por fora nunca vai ser o suficiente, a única saída é olhar para dentro, entender o porque essa secção física se mostra tão importante e, logo, passar reconstruir o de dentro e não o de fora. 

2) Precisamos entender a perda e aprender a mourejar com ela

Se a vontade de ter o pênis maior, ou de dar mais prazer, tem qualquer pezinho no temor da perda, a gente precisa aprender a terebrar mão do controle. Isso é uma dificuldade da humanidade inteira. Transfixar mão do controle é entender que a gente não deve suportar por aquilo que a gente não pode controlar. É aprender a encarar o que está por vir com uma certa serenidade.

As pessoas que se vão, que passam para outros relacionamentos, nunca o fazem só por justificação de centímetros de pau, da mesma maneira, não são alguns centímetros a mais que vão fazê-las permanecer. Precisamos olhar mais profundamente, crer que uma parceira foi perdida por conta de pau, é simplificar demais as coisas, é não querer ver os reais motivos. Se olharmos com carinho para a situação, é provável compreender muitos dos fatores que contribuíram para a perda e, logo, encarar com tranquilidade que não se pode controlar as relações e que todos tem seu momento e seus motivos para partir.

3) O tamanho não define e nunca vai definir o prazer porque não é provável separar as coisas

O prazer é um tanto que se produz entre pessoas e que tem a ver com o toque, mas também com o clima, e com a disposição destas pessoas. Não dá para separar porque não existe prazer sem libido e não existe libido sem todas as coisas que acontecem na nossa cabeça.

Falar que o prazer vai além do físico, não é uma justificativa para consolar os menos “avantajados”, é uma asserção para fazer com que mudemos nossa maneira de encarar o sexo.

Teorema final: A diferença é construtiva

Muitas vezes, o libido de um pau maior vem escoltado de uma vontade de ter mais possibilidades: ainda que se possa recorrer às preliminares, sexo verbal, onanismo, mantém-se a vontade de ter um pênis que, supostamente, dê prazer por si só e que também permite executar mais posições, etc.

Mas será que corresponder ao padrão desejável realmente abre possibilidades? Ou será que é o contrário? Me parece que corresponder ao padrão pode valer prender-se a ele, se limitar no conforto de ter todas as possibilidades em sua mão sem realmente explorá-las.

Não é justamente quando precisamos trespassar das áreas de conforto, que acabamos descobrindo coisas novas? Não seria justamente a diferença de circunstâncias o que faz cada um ter habilidades mais desenvolvidas nisso ou naquilo?

A proposta final é deixar de tentar encaixar o nosso físico em parâmetros “normais” ou “mais desejáveis” e iniciar a valorizar as pequenas diferenças, as características e habilidades únicas, concentrando virilidade na produção de prazeres dos mais variados, intensos e únicos.

E aí, estamos prontos pra tentar?

Vejo vocês nos comentários!


publicado em 04 de Janeiro de 2019, 00:00





Fonte: papodehomem.com.br

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