Quando alguém manda “preciso falar com você”

Tempo de leitura: 4 minutos

Quando alguém manda “preciso falar com você”

“Será que eu consigo falar com você ainda hoje?”. A mensagem recebida fez o aparelho celular esplender no escuro do quarto e, ao ver a foto dela na tela acesa, deu um pulo da leito na direção do criado-mudo. “Simples! Mas… tá tudo muito? Precisa de um tanto?”, ele respondeu com o intuito de saber melhor o novo terreno. Há várias semanas ela mesma havia pedido intervalo completa em seguida o termo do namoro de cinco anos. Precisavam não ter um ao outro no cotidiano recente para que pudessem ressignificar a relação e a sujeição mútua.

Não estavam se falando e nem tendo chegada às redes sociais um do outro. Era o breu. E daí a chegada dessa mensagem sem qualquer aviso prévio, com uma notificação tão direta e urgente o fez sentir os dedos dos pés formigarem. “Tá tudo muito sim. Me deu uma vontade de falar contigo hoje”, ele leu no app de conversa. Se levantou e, em pé ao lado da janela, abriu o vidro e respirou fundo antes de restituir. “Simples! Podemos nos ver hoje sim. E que bom. Deve ser coisa boa logo”. E passou a intervalar os foto do olhar entre os três pontinhos indicando que ela estava a digitar e os carros brincando de apressar e parar no trânsito onusto lá embaixo.

E foi melhor ainda. Em vez de uma novidade mensagem escrita, recebeu um pequeno registro em áudio com mais ou menos três segundos que continha uma risadinha dela seguida da certeza: “Com a gente é sempre bom, bebê”.

Nas alturas. Colocava o áudio para escutar novamente enquanto batia três dedos da mão no batente da janela uma vez que se quisesse invocar sorte, uma vez que se estivesse agradecendo aos que olhavam por ele em outras esferas e, agora, finalmente engendravam a seu obséquio. “Com a gente é sempre bom”, repetia a voz gravada e metálica. “Com a gente é sempre bom”.

Foi pro banho enquanto repassava os últimos acontecimentos, remascando umas memórias boas, alegrando-se com a sequência de lembranças muito encaixadas, uma vez que quando a gente se empolga de vez com a volta de uma série e vai puxando na cabeça “onde foi mesmo que parou a história?”. E foi colocando razão em tudo o que evocava, foi um período saudável de separação, uma premência humana de se perceber uma vez que quidam, a possibilidade de fazer crescer novamente os estímulos da saudade, da vontade de permanecer juntos de novo. Era só ir até lá, conversar de modo urbano e deixar decorrer o tesão de novo.

Achou estranho ela marcar o encontro na frente de uma lavanderia no meio, mas foi de coração crédulo. Chegando lá, a viu saindo do estabelecimento com uma sacola de roupas debaixo do braço. “É, faz uma semana que eu tô morando cá no meio. É bacana pra caramba, tem muita coisa pra fazer cá”, ela disse enquanto fuçava com um do braços dentro da sacola. A estranheza por segmento dele veio de se recordar dela falando que achava o meio meio bagunçado demais, mas colocou na frente a sentença de que pessoas estão no mundo para mudar mesmo com o tempo. Talvez entenderia melhor dos motivos dela quando sentassem para falar melhor em qualquer bar ou moca ali por perto.

Mas ela comentou que tava um pouco atrasada, que não ia dar tempo pra sentar. Tirou da bolsa enxurrada de roupas lavadas uma camiseta vermelha que era dele. “Pois é, tava lá em moradia, Engraçado que nem na mudança eu percebi que ela foi junto”, ela comentou. “Daí esses dias um dos caras que eu tô ficando encontrou na gaveta dele. Muito maluco. Mas tá aí. Queria te restituir”.

Ele perguntou do número exato de dois com os quais ela disse que estava saindo. “Pois é, eu tô vendo dois caras, mas um deles quase não sobe lá em moradia, a gente acaba ficando no sege dele mesmo, a gente acha mais excitante essa coisa de parar em alguma rua pra se pegar. E você? Não tá saindo com ninguém, né?”.

Foi a senha que abriria a cabeça dele. Compreendeu ali, naquele ponto e com aquela entonação da pergunta, que o convocação dela não foi para aproveitar da companhia um do outro, menos ainda para reatar alguma conversa sobre a relação deles, mas tão somente pela alfinetada, pelo gozo de ter superado um tanto que a outra segmento ainda não superou. E ela queria ver na rostro dele a guia.

E conseguiu. 

Ele nem tentou encapotar a recusa. Aproveitou todo o projecto dela e lhe deu o que tanto ansiava. Seu rosto virou uma visagem de estrago e prejuízo, deixou a voz falhar e fez com que as frases saíssem sem início ou final, só um balbuciar tenro de quem já não quer tentar. Entregou muito o que ela queria. Respondeu que não estava saindo com ninguém e começou a chorar.

O paixão é arma. E dói.

O livro Do Paixão está à venda!

Gente, finalmente o livro Do Paixão está pronto e no jeitinho pra ser vendido! Quer um? É só entrar na minha página do PagSeguro e fazer a compra! O livro está com o preço de R$39,90, mais nove reais para o dispêndio de frete por item!

Qualquer coisa, me labareda no Instagram (@jaderpires) ou manda e-mail pra jader@jaderpires.com.br pra eu te enviar um réplica com dedicatória muito formosa e tudo.

Ósculo!

Assine a Meio-Fio, a newsletter do Jader Pires

Pessoal, saiu hoje mais uma Meio-Fio, minha newsletter semanal com contos e crônicas, mais um monte de coisa boa, recomendações e links que vou pegar por aí. 

Sempre às sextas, vai chegar quentinho no seu e-mail. Basta se cadastrar com nome e e-mail cá.


publicado em 01 de Setembro de 2017, 00:00





Fonte: papodehomem.com.br

o repositório de arte erótica mais legal do Instagram – PapodeHomem

o repositório de arte erótica mais lícito do Instagram

Quando a gente quer, mas não consegue terminar