Quem termina ou quem toma o pé na bunda? Tem manifesto nessa história?

Quem termina ou quem toma o pé na bunda? Tem certo nessa história?
Tempo de leitura: 4 minutos

Quem termina ou quem toma o pé na bunda? Tem manifesto nessa história?

Eu me fodi. Depositei toda a fé de uma vida nesta relação e acabei vivendo uma ilusão. Escuta só, eu era todo dedicação, fiz mesmo de um tudo pra prosseguir com a nossa relação. Mudei hábitos, me ajeitei todo para os padrões que ela achava adequado. Olha só, eu me transformei em outro para poder seguir com ela, todo privado do que eu gostava, e por conta do quê? De um namoro que agora se acabou, um estrago que eu tentei evitar, fiz das tripas, coração pra deixar tudo em ordem.

Mas embolorou.

Ratazana, ela. Culpada, sim. Me pediu um tempo e fez com que as horas corressem diferentes para ela e para mim. Enquanto passei a semana toda sentado no sofá da sala arquitetando melhoramentos, estratégias de retomada, criando na cabeça um unguento pra sarar esses machucados de discussões passadas, para ela parece que se foi pra mais de anos. Apareceu toda mudada, com cabelo dissociado e roupa novidade, um olhar repousado detrás dos óculos escuros, um amplexo quase maternal em mim, dissemelhante em todos os aspectos daqueles apertos de primícias de aproximação, quando a gente se queria era grudar um no outro para todo o sempre. usava outro vocabulário, disse que havia pensado e que era sensato o isolamento, que sentiu-se mais segura e atenta fora do envolvente hostil que havia se tornado a nossa vivenda, que, agora de fora, podia ver que zero mais tinha ali para ser cultivado, resgatado. Disse, a inconveniente, que me via com bons olhos, mas não mais porquê par. E foi embora.

Me deixou cá fodido. E mal dito ainda por cima, já que fiquei sabendo que ela já estava em outra, saindo com outro rostro, zanzando de mãos dadas e toda arrumada, distribuindo sorrisos com outro a tiracolo. Vê se pode. Já devia estar é me metendo os cornos, me enfiando cornos, aquela cínica. Queria uma semana de folga era para ter certeza que seria recebida nos braços dele em definitivo. Precisava da segurança.

E eu cá. Fodido. 

Vai se foder, viu.

* * *

Deitada no sofá da sala na vivenda da mãe, olhava para os próprios pés sem ter muitos pensamentos na cabeça. Só reparava em seus dedinhos, no vermelho do esmalte, na maneira com que alguns respondiam com mais afinco e outros mais preguiçosos ao incentivo vadio de se mexerem. A tranquilidade reinava em seu peito em seguida o término. 

Foi um desgaste tremendo. Meses de discussões cada vez mais intensas, com o tom de voz sempre mais diferente, com palavras nunca antes pronunciadas naquela ordem formando ofensas e humilhações de ambos os lados, nervos à flor da pele, uma relação de idas e vindas sem término, com vontades genuínas de fazer dar manifesto, mas que já estava com dois metros para dar com a rostro no muro depois de diversas tentativas dela de terminar. Era preciso frear. Bruscamente. Travar tudo e repensar rotas.

O tempo.

Pedido por ela, que primeiro enxergou a urgência de se ver sem ele, de se perceber num mundo maior que o daquele cotidiano, de não voltar depois de outra pugna, de ouvir o que as outras pessoas estavam falando, que ela estava se afundando, que há muito tinha perdido sorrisos e brilhos, o interesse nas coisas da vida. Esperou uma semana e terminou. Conversou com ele, explicou seus novos anseios, desejou-lhe sorte e ofereceu, num horizonte próximo, amizade e parceria, razões e auxílios que mais uma vez não foram muito muito recebidos, pelo contrário, de subitâneo foram rechaçados com mais insultos e pedradas, a expulsão sumária dela da vida dele. Pior ainda foi quando, um mês e pouco depois, ainda precisou reviver uma baixaria quando ele descobriu que ela estava saindo com outro. A teoria da traição fez com que ele aparecesse feito um bicho machucado na tourada, precisando retirar as espadas engasgadas, desesperado de ver o próprio sangue escorrendo sem ao manifesto saber de onde. Abriu o vozearia, chamou o outro para a pugna, fez um vendaval atrapalhando o sábado, foi embora jurando vinganças e revanches, torcendo por desgraças para tudo o que estaria por vir.

Ela avançou quatrocentos porcento na novidade lanço. Mais atenta e disponível, mais maleável e pé no solo, equilibrava o novo relacionamento com sua vida pessoal e familiar, com sua profissão e seus próprios avanços. 

Tudo estava muito. Todos estavam muito.

* * *

Calhou de só ter uma pessoa triste nessa história. E aconteceu de ser eu.

Fodido. Vai se foder, viu.

* * *

O paixão é uma história com vinte lados.

Obs: peguei toda a teoria dessa conversa cá.

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publicado em 16 de Março de 2018, 00:00





Fonte: papodehomem.com.br

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