Sexo não é tão forçoso para um relacionamento

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Sexo não é tão forçoso para um relacionamento

Estamos habituados a pensar e sentir que um relacionamento é bom quando tem paixão, sexo, intensidade, e que não é bom quando não tem essas coisas.

Evidente, não é um problema viver paixão, sexo e intensidade. É supimpa. O problema é confiar que isso seja a melhor base para o relacionamento, o melhor critério de qualidade, que sem isso um tanto esteja falso.

Não há uma vez que sustentar o jogo sexual por muito tempo (e nem é preciso). Se apostarmos nisso e o tomarmos uma vez que referencial, quando ele flutuar – e ele vai flutuar – vamos proferir que a relação entrou em crise, perdeu qualidade. Ora, quem disse que esfriar é um tanto negativo?

Diante da falta desse calor, normalmente ficamos aflitos e 1) tentamos restaurar a intensidade, “apimentar a relação” (o que obviamente não dura), 2) acabamos a relação e procuramos outra que tenha “química” (para repetirmos o problema mais tarde), 3) tentamos estabelecer outra base para a relação, que não tenha sexo e paixão uma vez que eixo principal.

 

Queimação eterno só em GIF

 

 

“O contraveneno para a sonolência não é “manter o queimada”, prolongar a paixão inicial, “apimentar a relação”. Focar no próprio relacionamento, usar a originalidade, explorar fantasias, viajar junto; tudo isso funciona, evidente, mas não dá para manter tal frescor por muito tempo. O contraveneno para sonolência em um parelha encontra-se na vida dele e na vida dela, não tanto no próprio parelha. Está mais no “Eu” e menos no “Nós”.

Se ele se movimenta de modo positivo, se tem clarão nos olhos, se enriquece a vida dos outros, se anda no mundo com uma visão ampla. Se ela está sempre em desenvolvimento, cada vez mais inteligente, radiante e livre, se dança pelo mundo, se também tem clarão nos olhos e sentido na vida. É isso o que livra o parelha da sonolência: a pujança que eles movimentam por si só, sem o pedestal do outro. É essa a pujança que eles trazem para a relação, que se multiplica quando vira “Nós”.”
–Gustavo Gitti

 

A verdadeira base do sexo

Não é necessariamente um problema possuir pouco sexo entre um parelha. O problema é não possuir essa pujança dinâmica que dá vida pra relação – e que por um tempo brotou por meio do jogo da paixão e do sexo.

Há um nível sutil de sofrimento no esforço pra sustentar esse jogo rolando, mesmo enquanto o relacionamento é tido uma vez que bom, com sexo de qualidade e tudo mais. O queimada exige uma manutenção manente. Na verdade, já sofremos só de imaginar a paixão flutuando, e vamos suportar muito mais quando ela oscilar de indumentária – tudo na exata medida em que alimentamos esperança e expectativa de que a experiência que temos no relacionamento se sustente.

 

É mais fácil controlar a chuva do que uma mulher

Acredito que as coisas tendem a funcionar melhor pra um parelha (e o sexo pode ter melhor qualidade) quando alguém assume o papel daquele que procura, que alcança, e a outra pessoa assume o papel daquela que tem que ser buscada, alcançada, percorrida, dominada, segurada, penetrada. A qualidade do jogo, portanto, depende da maestria que os dois têm em trebelhar, cada um no seu papel. Em um dos casos, do quanto conseguimos ser bons caçadores, buscadores, do quanto conseguimos oferecer guarida, firmeza, pavimento e penetração.

Porque quem está fugindo não quer ser pego, e quem quer pegar na verdade não quer pegar – o que se quer é que o jogo e o movimento sejam mantidos. É daí quem vem o tesão, o clarão, a viveza – do jogo, do movimento, da dança. Penso que esta seja a verdadeira base do sexo, e que ela pode ser ativada e alimentada mesmo sem atividade sexual.

Resolver o jogo implica em monotonia e falta de movimento; manter o jogo supõe seguir o movimento. Eu diria ainda mais: esse movimento supõe qualquer nível de liberdade, que por sua vez supõe qualquer nível de instabilidade e terror. Ou seja, a própria coisa que desejamos banir das relações é o que cria a tensão que as mantém. A liberdade, o terror e a instabilidade são a eletricidade que gera o magnetismo.

 

 

“Todo paixão luta para enterrar as fontes de sua precariedade e incerteza, mas, se obtém vitória, logo começa a enfraquecer – e definhar.”
–Zygmunt Bauman

 

Sexo sem sexo

É verosímil manducar uma mulher sem tocá-la. Transar é só o jeito mais grosseiro e desesperado de exercitar penetração, alcance e acolhida. Tem outros jeitos para se fazer a mesma coisa. E ela vai mostrar todos os sintomas de estar sendo comida: vai ter clarão no olho, permanecer soltinha, se sentir segura, feliz, satisfeita, se deixar conduzir, enfim, o pacote completo. E o varão, da mesma forma, vai se sentir realizado, sólido, positivo.

 

Com uma carinha de felicidade uma vez que essa, a penetração pode ser a última das importâncias

Quando o parelha percebe essas coisas, uma novidade base já está estabelecida. E esta base já é muito menos flutuante e estreita do que a primeira. Aí há chances de que a intensidade reapareça de outras formas, sem depender tanto do sexo em si. Eventualmente até mesmo sem precisar de uma relação amorosa.

É verosímil (ainda que muito vasqueiro) que os dois entendam essa dinâmica toda e trabalhem lado a lado pra diminuir o potencial que têm pra suportar quando a sustentação desse e de qualquer outro jogo flutuar.

Agora, curiosamente, esse processo parece fazer com que a pessoa se torne mais luminoso e atrativa, inclusive sexualmente.

 

Relacionamentos amorosos também não são tão essenciais assim

É um problema colocar os relacionamentos no meio da nossa vida, uma vez que se todas as possibilidades de movimento que temos dependessem desse eixo, exclusivamente.

Não quero, com isso, proferir que os relacionamentos não mereçam nossa atenção, que eles não sejam valorosos e possam nos ajudar a erigir vidas boas e saudáveis. Mas o ponto é que eles podem fazer isso, só podem, uma vez que muitas outras coisas podem.

Penso que uma maneira mais verdadeira pra dar ânimo no relacionamento, pra fazê-lo ter um sentido originário, fluido, é nós mesmos encontrarmos um sentido em nossas vidas. Isso pode ser feito de forma independente um do outro. Independentes, mas ainda assim juntos, apoiando-se mutuamente.

 

De onde vem o tesão?

Particularmente eu entendo que uma das coisas (talvez a principal) que torna a pessoa desejável é a medida que ela nos é inalcançável.

 

Em “Sin City”, Marv vê em uma prostituta, a sua divindade inalcançável

Por um lado, nós desejamos a pessoa porque há uma dimensão nela que não entendemos muito, que nos escapa – um nível de liberdade e mistério que até mesmo nos assusta um pouco. Essa dimensão é o que nos atrai, nos incita e nos move em sua direção. É uma vez que se houvesse uma vontade de entender e dominar aquilo, de resolver a questão, de subjugar, desenredar, terçar e desvestir o outro.

Por outro lado, para a pessoa que tem sua medida de inalcançabilidade surge também excitação quando ela tem a perspectiva de ser alcançada, invenção, desnudada. A excitação sexual viria do “desabar das máscaras”, de desenredar e inferir ou de ser desvelado e atravessado, mesmo que somente de forma momentânea e condescendente. As duas coisas acontecem juntas.

Isso parece explicar o motivo porque existe excitação sexual com coisas uma vez que tapa na face, fantasias de  dominação e submissão, bondage etc. Já viram casos no quais a mulher é fodona na vida, dirigente, autoritária, brava, e na leito gosta de ser submissa? Portanto, o tesão vem de ser alcançada, invenção, desprovida de sua encenação, de desapertar a tensão criada pela encenação dos papéis cotidianos.

Tais posições, de quem procura e de quem é buscado, são assumidas pelos dois ao mesmo tempo e em alguma medida, muito uma vez que podem ser encenados com maior predominância por um ou por outro de forma alternada, ou ainda ser encenado por uma das pessoas pela vida inteira. E os dois podem estar conscientes disso ou não.

Eis porque é geral surgir esse problema de falta de tesão no conúbio. Os dois se conhecem demais. Sabem tudo um do outro. Já sabem e adivinham cada movimento, cada pensamento. As dimensões de inalcançabilidade ficam mínimas, quase inexistentes. Aí não há incitação, duelo, vontade de dominar, testificar, desenredar, envolver, terçar.

A solução pra isso portanto seria fazer ressurgir qualquer nível de tensão no relacionamento. Se temos tesão pela vida, se nos movemos mais livremente, se nossa presença ativa a dimensão de espanto e incerteza que já existe o tempo todo, criamos causas e condições para que o jogo se estabeleça mais facilmente e de modo mais lúdrico. Essa dinâmica portanto é percebida pelo parceiro ou parceira, mesmo que indiretamente, e eis que a dança pode inaugurar.

 

Oferecimento: Prudence Ice

 

 

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publicado em 25 de Julho de 2011, 05:06





Fonte: papodehomem.com.br

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