“Tudo dava sinais que ia dar claro”. A gente gosta de se enganar?

"Tudo dava sinais que ia dar certo". A gente gosta de se enganar?
Tempo de leitura: 7 minutos

“Tudo dava sinais que ia dar claro”. A gente gosta de se enganar?

Um cacto. Procurou na lojinha de flores a bolota virente com espinhos que julgou ser a mais fofa e levou para a mansão dela. Era sua forma de pedir desculpas. “Para lembrar que eu sou meio sequioso, mas também embelezo a vida”, ele escreveu em um bilhetinho e deixou ambos em cima da mesa dela que ficava ao lado da janela. “A mocinha da loja disse que era para pegar bastante sol direto que um dia ia dar flor”, ele comentou depois de puxá-la pela cintura e roubar um ósculo que ela queria receber, mas não deixava para ainda mostrar que estava brava. Geniosa ela sempre foi, mas em pouco tempo ele já havia revelado uma vez que molificar aquela couraça. Ela adorou a lembrancinha e enfeitou o vasinho marrom com uma fita rosa. Deu lacinho e tudo. Disse que agora era esperar para um dia ver dimanar a flor e ele disse que estava esperando por ela há mais tempo, que esperar o desabrochar da flor seria moleza. Eles transaram no pavimento da sala naquela mesma tarde. Foi poderoso. Doeu. Mas eles gostavam assim, machucando. Gostavam de deixar marcas para o outro se lembrar.

Ele namorava e ela também. Cada um inserido em um outro par. Se conheceram no trabalho e começaram a se pegar escondidos, pra ninguém ver. Uma vez ele a fez gozar com os dedos, encostados contra uma porta da saleta vazia, e na semana seguinte, sempre que ela passava, ele fingia se tremer para imitar o jeitinho que ela tinha chegado ao orgasmo nas mãos dele. Mas, de repetir a anedota, de se destinar demais à zombaria, ela acabou ficando puta da faceta e brigou com ele. Não se falaram uns três dias, mas ele deu o braço à torcer e foi até a mansão dela pedir desculpas com um vestido vermelho debaixo do braço. E tinha um porque. Quando eles ainda estavam na período da troca de joguetes, dizendo com outras palavras o que queriam de vestimenta proferir, ela foi à uma sarau com um vestido vermelho e mandou uma mensagem abrindo mais as confissões: “Vou aproveitar que bebi, se não nunca vai transpor”. Ele ficou uns minutos segurando o telefone, esperando uma prolongação que não vinha, ansiando uma desfecho, e zero do desenlace. Na madrugada, chegou um vídeo dela dançando com umas amigas, de vestido vermelho, cantando uma música brega sertajena que mandava o recado da maneira mais direta: “uma vez que é que a gente fica?”. Mais uns minutos e ela o contatava novamente com o tarar dos ébrios, dizendo “não estraga o seu relacionamento por mim que não vale a pena”.

Mas tudo já havia sido jogado para os ares. No dia seguinte eles passaram a grudar um no outro, um passar de braços nos corredores, um farejar no pescoço alheio, abraços de “oi” e “tchau” mais demorados, o invitação para irem ao apartamento em que ela morava sozinha para ver uma vez que havia ficado o quadro que ela pendurou na parede com fita adesiva dupla-face, dica que ele havia oferecido, as mordidas, o sexo, a troca de carinhos e mimos, o chamego e a urgência imediata. Ela morava perto do trabalho, logo ele esperava dez minutos depois de ela transpor e rumava na mesma direção. Lá, faziam um recorte do dia e iam para uma outra verdade, uma dimensão única em que tudo podia entre eles, em que zero mais existia se não o cheiro um do outro, uma aproximação curta e primitiva. Não mediam esforços, levavam-se à exaustão, colecionavam troféus de músculos sob as unhas. Sabendo disso, conhecendo muito o potencial destrutivo do tesão deles, ele levou o vestido vermelho uma vez que mimo, mas não deixou ela testar. “É pra quando estivermos em público. Eu quero desfilar com você nesse vestido. O vestido que é meu com a mulher que é minha dentro dele”. Dias depois ela comentou que o namorado encontrou o vestido dentro do armário e achou muito bonito, “provocante demais”, segundo palavras dele. Ela disse que, mesmo assim, não usou, já que era um presente a ser usado só com ele, já que era o vestido dele, que deveria ser usado com a mulher dele dentro. Ela deu uma piscadinha e disse que já tinha data para usá-lo: a sarau da firma.

Chegaram separados, mas não se desgrudaram. Caminharam juntos, um do ladinho do outro, ele pegava bebidas para ela, deixaram de encapotar tanto e dançaram colados. Ele comentou que informou à namorada que era uma sarau mais interna do trabalho para poder permanecer só com ela, para poder chegar perto dela. Lá pelas tantas, depois de mais uma taça, ela disse o “eu te senhoril” e ele não se manifestou de volta. Ela não levou a mal, ao contrário, disse entender demais as precauções dele, que esperaria serena, que sabia já ser recíproco. Os olhos dele só acompanhavam os movimentos que ela fazia com as mãos para se justificar da não urgência de resposta para sua enunciação e a maneira que ele julgou ser a mais potente para retribuir foi puxando-a com força e tascando um ósculo na boca dela. Estavam em um galeria, não sabiam se alguém do trabalho estava de passagem, mas naquele segundo ele não se importava. Queria que todos soubessem, que ela soubesse. Que ele estava amando de volta. Só que o transe não combinado deixou sua companhia agressiva e zangada. Ela xingou palavrões, empurrou-o umas três vezes, foi embora e ele a seguiu. Brigaram na rua, ela não deixou ele subir em seu apartamento, ambos vararam a noite sem dormir e ele apareceu na manhã seguinte com o cacto e os pedidos de desculpas. Ela foi no quarto e voltou com o vestido vermelho. Estavam os dois atirados no tapete quando ela reparou que a flor do cacto havia desabrochado. Era um botão rosáceo que estava todo exibido e apontando para a janela, berrando por mais sol. “Não tem mais uma vez que dar falso. Não tem mais volta”, ele sussurrou na ouvido dela apontando com um dos dedos para o aviso da vegetal de que a vida é foda de bela.

O feriado chegou e ele passaria quatro dias com a namorada. Precisava resolver com ela a difícil tarefa do término, da separação, do cada um ir cuidar da sua vida. Ficava quieto em mansão, deixando uns filmes passando na televisão, mas sem prestar muita atenção, servindo de fantasma para seu relacionamento já moribundo. No terceiro dia, puxou oxigênio e coragem para ter com ela, mas recebeu mensagens trazendo notícias. Era sua escolha dizendo que havia feito uma escolha, que tinha novidades para ter com ele. Mais uma vez, logo, se calou. Na volta, ela não foi para o apartamento dela com ele. Pediu para se encontrar num moca. Lá, comentou que no feriado ela viajara para uma cidade há duas horas dali para uma conversa, e que havia sido convidada para trabalhar em um tarefa muito promissor, dando perpetuidade na sua curso.

Ela estava de mudança.

Duas semanas e não havia mais apartamento e nem encontros furtivos. Ela tinha pedido uns dias para se endireitar na novidade cidade, no novo trabalho, se precingir de tranquilidade nessas áreas para poder, enfim, seguir com a trama não resolvida dos dois. Quinze dias sem contato, ele levando sua vida de sempre, agora sem machucados e marcas pelo corpo, sem as conversas, uma pequena dieta de dores provocadas por ela, de preocupações sobre o que esconder, uma vez que esconder. Era só trabalho, rotina, nenhuma façanha. Estava estranhamente pacato. Percebeu sentir-se incomodado no sossego. Queria a firmeza da angústia. Mais duas semanas e zero. Um mês pretérito. Entrou no carruagem e dirigiu até a cidade novidade em que ela se encontrava. Marcou um almoço e ela apareceu com quarenta minutos de delongado. Disse que estava dentro do carruagem, na esquina, decidindo se aparecia ou não. Estava com um novo incisão de cabelo, deu um amplexo fraternal nele, mas zero íntimo demais. Comentou sobre o novo tarefa, peculiaridades da novidade cidade, zanzaram num papinho que evitava chegar onde se precisava ir. E chegou. Ela comentou que não foi detrás dele porque muita coisa aconteceu. Ela estava tentando voltar a se entender com o namorado, ele estava finalizando os planos de mudança para ir detrás dela, ela não sabia ao claro se queria, mas não disse que não queria. Ele tentou um ósculo e ela se esquivou. Disse que tinha espargido um faceta nesse meio tempo, mas jurou com os pés juntos que não tinha tido zero com ele. Ainda.

Foi para mansão em prantos. Era para deixar escorrer mesmo, gastar o que tinha ali dentro. Ela pediu para ele não voltar lá, mas não disse que estava tudo feito, não comentou que não voltariam mais. Só pediu espaço. O que lhe incomodava era a não desfecho, um não fechamento. Não tinham terminado, mas não estavam seguindo. E ele só queria entender. Só precisava que ela dissesse.

Só que ela não disse. O mundo não disse. Zero nos dias que foram se seguindo disse que havia feito. A flor que nasceu, o vestido, todas as chances em que ficaram sozinhos no macróbio trabalho, facilitando conversas e a aproximação, o apartamento dela ser estrategicamente perto para todas as desculpas para atrasar a chegada em mansão, para passar em frente e fazer uma visitante. Eram tantos os sinais dizendo que era para dar claro…

Mas, às vezes, o paixão só dá falso mesmo.

Esta é uma história real! Quer que eu escreva a sua?

O narrativa de hoje foi fundamentado em uma conversa real. Foi feita uma entrevista, encontramos a história ideal e eu a escrevi!

Conheçam o Cartas de Paixão:

“Quem precisa de ficção quando se tem a verdade?”. A gente brinca, no jornalismo, que as invenções da literatura nunca alcançarão a loucura que é a vida real. A gente cria, fantasia e dissimula, mas a verdade, as histórias de vestimenta vividas, dão de dez a zero.

E é isso que eu quero fazer. Retrair as coisas que aconteceram na sua vida para transformá-las em história. Eu vou te dar uma versão única e exclusiva de qualquer vestimenta importante e gostoso da sua vida, a visão de noticiarista que você quer dar a um pedacinho da sua vida.

Cartas de Paixão é um projeto que sai do coração. Do olhar, ver e reparar. A gente vai se colocar nesta posição mais atenta para falar de forma genuína, para ouvir mais disponível. Vamos encontrar a faísca e fazer disso, queima.

Quer saber mais do projeto? Entra no jaderpires.com.br que tem mais detalhes. Qualquer coisa, me labareda que a gente desenrola. 😉

O livro Do Paixão está à venda!

Gente, finalmente o livro Do Paixão está pronto e no jeitinho pra ser vendido! Quer um? É só entrar na minha página do PagSeguro e fazer a compra! O livro está com o preço de R$39,90, mais nove reais para o dispêndio de frete por item!

Qualquer coisa, me labareda no Instagram (@jaderpires) ou manda e-mail pra jader@jaderpires.com.br pra eu te enviar um réplica com dedicatória muito formosa e tudo.

Ósculo!

Assine a Meio-Fio, a newsletter do Jader Pires

Pessoal, saiu hoje mais uma Meio-Fio, minha newsletter semanal com contos e crônicas, mais um monte de coisa boa, recomendações e links que vou pegar por aí. 

Sempre às sextas, vai chegar quentinho no seu e-mail. Basta se cadastrar com nome e e-mail cá.


publicado em 13 de Abril de 2018, 00:00





Fonte: papodehomem.com.br

Meditação: técnicas para acalmar a mente e ser mais feliz

Reflexão: técnicas para acalmar a mente e ser mais feliz

Vamos conversar sobre o Bom Dia? – PapodeHomem
Conteúdo Sensível
Clicar para ver artigo

Vamos conversar sobre o Bom Dia?